Título: BB vai negociar crédito de carbono para Japão
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Fonte: Valor Econômico, 03/08/2006, Finanças, p. C8

O Banco do Brasil assinou um protocolo de cooperação com o banco japonês Sumitomo Mitsui Banking Coporation para intermediar a venda de crédito de carbono de empresas brasileiras para companhias japonesas.

O BB antevê boas oportunidades na intermediação de negócios entre o Japão, país que entre 2003 e 2004 respondeu pela aquisição de 41% dos créditos de carbono negociados no mundo, e o Brasil, que, ao lado da China e da Índia, é visto como um maiores potenciais produtores de crédito de carbono do mundo.

O crédito do carbono, criado pelo Protocolo de Kyoto, é um mecanismo que visa combater o aquecimento global. Seu mecanismo básico é que países poluidores, como o Japão, e as economias da Europa, compram créditos de países que poluem pouco e implantam projetos que reduzem ainda mais as suas emissões. Os Estados Unidos não assinaram o acordo internacional.

Os negócios envolvendo crédito de carbono vêm crescendo de forma acelerada e, por isso, estão atraindo bancos interessados em intermediar as operações. O movimento total desse mercado em 2005 foi estimado pelo Banco Mundial em US$ 10 bilhões e, apenas no primeiro trimestre de 2006, o volume financeiro chegou a US$ 7,5 bilhões.

O gerente-executivo da Diretoria Comercial do BB, Allan Simões Toledo, afirma que uma das formas de atuação do banco será na intermediação da compra e venda dos créditos de carbono. "O BB desembolsou R$ 6,5 bilhões para projetos de investimento em 2005", disse. "É a maior carteira do país."

Outra possível forma de cooperação será a criação de um fundo "private equity" conjuntamente com o Sumitomo para investir em novos projetos com tecnologias limpas, explica o gerente-executivo da Diretoria Internacional, Eduardo nascimento. "Temos a expectativa de um crescimento muito forte desse mercado", afirmou.

Também está nos planos o financiamento, com recursos do Sumitomo e do BB, de projetos de grande porte no Brasil.

As formas potenciais de atuação do BB neste nicho de mercado são as mais variadas, como mostra o primeiro projeto da instituição na área, fechado em maio.

A Novagerar, que tem uma planta de tratamento de resíduos sólidos em Nova Iguaçu (RJ), vendeu seus créditos de carbono, no valor de 13,25 milhões de euros, a um fundo de investimento da Holanda. O BB entrou como fiador da operação. (AR)