Título: O desconhecido nome de Nova Iguaçu
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 02/10/2005, País, p. A5

Homem da máquina partidária, Alberto Cantalice venceu o primeiro turno das eleições internas do PT com quase o dobro de votos da segunda colocada graças ao apoio de alguns dos principais caciques do partido no estado. A começar por Marcelo Sereno, submerso desde que foi acusado de ser um dos comandantes do mensalão, e seguindo com os homens que controlam a máquina petista no Estado, como o deputado federal Jorge Bittar, o atual presidente regional e deputado estadual Gilberto Palmares e o vereador Edson Santos, escolhido pelo Campo Majoritário para fazer a divisão dos cargos da tendência no Rio. Mas apesar de o próprio Sereno dizer, através de assessores, que Cantalice foi uma indicação sua, o candidato nega.

- Não sou vinculado a pessoas, sou vinculado a campanhas partidárias.

Nascido em Nova Iguaçu, Alberto Canatalice entrou na política muito jovem. Aos 13 anos começou a militar nas disputas municipais e participou da fundação do MDB Jovem.

- Estava na clandestinidade no Partido Comunista e o MDB era o único caminho. Então, em 1985, assim que o PCB entrou na legalidade, saí do já PMDB - conta.

A ida para o PT foi fruto de uma das muitas divisões que a esquerda vem enfrentando. Numa situação um pouco semelhante com a que ocorre hoje no PT. Depois da grande desagregaçaõ de 1990, quando ao ser criado o PPS o PCB quase foi extinto, Cantalice e seu grupo optaram pelo PT.

- Eu acreditava que só um partido de massas podia operar transformações - destaca.

Atuando com força na máquina partidária, em 1992 foi eleito para o diretório estadual. Em 1997 se tornou presidente do PT de Nova Iguaçu e dois anos depois tornou-se membro da Executiva Estadual. Hoje, apesar do número de votos que teve, ele diz que a crise do PT dificultou sua candidatura:

- Passei mais tempo tendo de explicar a crise do que fazendo propostas.

Cantalice, Bittar, e Marcelo Sereno têm o mesmo argumento para a escolha de um nome desconhecido fora doa máquina partidária: ''a necessidade de ter uma direção que tenha dedicação exclusiva ao partido''.

Segundo setores da esquerda do partido, no entanto, por trás da candidatura estaria a tentativa de manter Bittar e Sereno no controle do partido.

Pragmático, o deputado Jorge Bittar, um dos comandantes da campnaha de Cantalice, ressalta que o candidato terá o papel de continuar o processo de interiorização do partido. Pelo fato de ser de Nova Iguaçu, Cantalice teria maior diálogo com os diretórios do inteiror.