Título: Meio-irmão de Saddam é capturado
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Fonte: O Estado de São Paulo, 28/02/2005, Internacional, p. A9

Sabawi Ibrahim al-Hasan, meio-irmão de Saddam Hussein e um dos principais assessores do ex-ditador iraquiano, foi capturado com ajuda da Síria, informaram ontem funcionários do governo iraquiano pedindo anonimato. As autoridades sírias não fizeram nenhum comentário a respeito. Em nota oficial, o governo iraquiano limitou-se a anunciar a detenção de Hasan, 36.º da lista americana dos 55 ex-colaboradores do antigo regime mais procurados, sem dar detalhes.

Indagado pela rede de televisão dos Emirados Árabes, Al-Arabiya, sobre o envolvimento sírio no caso, Muwafaq al-Rubei, principal assessor de segurança do primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, disse apenas: "Sem comentários." Depois, acrescentou: "A credibilidade da detenção deve ser atribuída às forças de segurança."

Mas, segundo a versão extra-oficial, a Síria, acusada pelos Estados Unidos de estimular o terrorismo e sob forte pressão para retirar suas tropas do Líbano, decidiu colaborar com o novo governo iraquiano. Numa tentativa de melhorar sua imagem perante a comunidade internacional, teria detido o meio-irmão de Saddam e o entregado às forças de segurança iraquianas.

"O governo (iraquiano) divulgará na segunda-feira (hoje) uma declaração esclarecendo tudo", acrescentou um dos funcionários iraquianos, citados pela agência noticiosa Reuters. Ele adiantou que houve também no episódio (na captura de Hasan) "forte presença" das forças americanas e iraquianas.

Fruto do segundo casamento da mãe de Saddam, Hasan foi ministro do Interior e chefe dos serviços secretos do antigo regime iraquiano nos anos 80. Ele é acusado do assassinato de vários políticos e representantes da sociedade iraquiana que se opunham a seu irmão. Hasan ocupou também cargos importantes no Partido Baath, controlado por Saddam.

Os serviços de inteligência americanos e iraquianos suspeitavam que Hasan vivesse ultimamente em Damasco ou outra cidade síria, de onde, em companhia de outros colaboradores do antigo regime, organizava a resistência e promovia atentados terroristas no Iraque.

A presença dele em território sírio foi denunciada pelos Estados Unidos e pelo governo provisório iraquiano no ano passado. Damasco foi acusada de abrigar antigos colaboradores de Saddam, como ex-dirigentes do Partido Baath, e apoiar os movimentos rebeldes no Iraque. O governo sírio tem negado categoricamente essas acusações.

De qualquer forma, Hasan é mais um importante ex-assessor de Saddam confinado numa prisão de segurança máxima no Iraque. Ele faz companhia ao próprio Saddam, ao ex-vice-presidente Taha Ramandan, ao ex-chanceler Tarek Aziz e a Ali Hasan al-Meguid, primo do ex-ditador conhecido como Ali Químico (por usar armas químicas para exterminar milhares de curdos na década de 80).

MORTES

Pouco antes do anúncio da prisão do meio-irmão de Saddam, o comando militar das Forças Armadas dos EUA no Iraque informava em comunicado oficial a morte em combate numa região ao sul de Bagdá de mais dois soldados americanos. Eleva-se agora a 1.136 o total de soldados americanos mortos em território iraquiano desde a invasão do país árabe pelas forças anglo-americanas em março de 2003.

Em Mossul, uma bomba explodiu, matando oito iraquianos e ferindo dois.

Numa cidade ao sul de Bagdá, Musayyib, a polícia iraquiana encontrou os corpos de cinco pessoas com as mãos amarradas - todas mortas com tiros na cabeça.

'ESPIÃ' DECAPITADA

Na capital iraquiana, o corpo decapitado de uma mulher foi deixado numa rua com um bilhete: "Espiã, capturada e punida." Não muito longe dali, um veículo da TV Alhurra (fundada pelos EUA) foi metralhado por desconhecidos. O motorista morreu e um jornalista iraquiano ficou gravemente ferido.

Esse foi mais um de uma série de ataques contra jornalistas ocorridos nas duas últimas semanas em várias regiões do país.

No sábado, a polícia encontrou o corpo de uma apresentadora de telejornal, raptada uma semana atrás em Mossul, quando dirigia seu automóvel em companhia da filha dela de 10 anos. A menina foi salva.

No início do mês, rebeldes assassinaram a tiros em Basra um repórter da Alhurra e o filho dele.