Título: Família de acusado de ser o mandante vive pesadelo
Autor: Leonel Rocha, Colaborou: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/02/2005, Nacional, p. A4
Vital Gonçalves de Moura, de 55 anos, e sua mulher, Generosa, de 54, estão "vivendo um pesadelo", nas suas palavras, desde o assassinato da freira Dorothy Stang em Anapu (PA), dia 12. Eles são pais de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime executado por Rayfran Sales e Clodoaldo Batista. "Estamos desesperados sem notícia do nosso filho. Não acreditamos nas acusações que a polícia faz", desabafa Vital, pequeno pecuarista. "Nunca fui em delegacia. Agora, fico vendo as notícias pela TV. Meu filho não é grileiro e jamais iria mandar matar uma pessoa que nem estava na área dele."
Vital não consegue mais tocar a fazenda e passa os dias em casa, com depressão e dormindo à custa de remédios. "Meu filho teve bom exemplo do pai e não acredito que tenha feito isto. A polícia não pode acusar alguém assim, sem provas", diz Generosa. Ela conta que os quatro filhos de Bida não conseguem dormir direito, acordam à noite com pesadelos e são apontados na escola como filhos de um criminoso. "Isto é muito chocante. Somos honestos e trabalhadores."
Eles hospedam a nora, Girlane, e os netos. "Já nos aconselharam a sair da cidade para esquecer, mas não podemos, as crianças teriam que sair da escola", diz Girlane.
Na casa também está Elizabete Coutinho da Cunha, mulher de Amair Feijoli da Cunha, o Tato, que está preso, acusado de ser intermediário do crime. Ontem ela o visitou na prisão e diz que ele está chocado com as acusações. "Seria muita burrice o Bida e o Tato mandarem matar a freira sem planos de fuga, contratando gente da região e me deixando com as crianças em Anapu", argumenta.