Título: Novo relatório inocenta 10 na CPI do Banestado
Autor: Rosa Costa
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/02/2005, Nacional, p. A9
O relator da CPI do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), ressuscitou ontem a comissão encerrada dia 27 de dezembro e, sozinho, apresentou outro parecer. No novo relatório, que entregou aos presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ele inocenta dez pessoas acusadas no seu primeiro parecer e acrescenta oito suspeitos na lista de indiciamento que ele próprio vai entregar ao Ministério Público, à Receita Federal e à Polícia Federal. Como não foi votado, o documento não tem valor legal. Mas, no entender do deputado, servirá para os procuradores "aprofundarem a investigação". Homem de confiança do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Mentor pede o indiciamento de vários dirigentes da política econômica no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas poupou todos aqueles ligados de alguma forma ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o ex-prefeito Paulo Maluf, aliado da prefeita Marta Suplicy no segundo turno da eleição municipal, e o ex-presidente da Transbrasil Antonio Celso Cipriani, que tem como advogado o compadre de Lula Roberto Teixeira.
Mentor ainda acusou o presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), de obstruir os trabalhos para preservar seu partido. "Eu conhecia os anões da política, descobri agora que existe o anão das CPIs", reagiu o senador tucano, chamando o deputado de "pigmeu da política".
Mentor propõe a aprovação pelo Congresso de um projeto de lei anistiando todos os que repatriarem recursos não declarados mantidos no exterior. O relator citou os seguintes parlamentares por movimentação ilegal de recursos: deputados Ricardo Rique (PL-PB), Vittório Medioli (PSDB-MG) e Francisco Garcia (PP-AM), além do senador Mário Calixto (PMDB-RO), e dos deputados estaduais Carlos Gabam (BA), Wigberto Tartuce (DF) e, ainda, do vereador Ricardo Franco Montoro (SP).