Título: Índices apontam inflação em queda
Autor: Francisco Carlos de Assis, Célia Froufe e Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/02/2005, Economia, p. B3
A taxa de inflação de 0,37% apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na terceira quadrissemana de fevereiro é a menor das últimas 17 prévias na cidade de São Paulo. Inflação inferior a esta só foi medida na primeira quadrissemana de outubro do ano passado, quando os preços ao consumidor subiram, em média, 0,27%. O IPC do período ficou abaixo até mesmo do piso das expectativas dos analistas do mercado, que esperavam entre 0,40% e 0,45%. Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também recuou de 0,39% em janeiro para 0,30% em fevereiro, próximo ao piso das previsões do mercado. Foi a terceira queda seguida do IGP-M, que em novembro estava em 0,82% e caiu para 0,74% em dezembro. O índice acumula 11,43% nos 12 meses terminados no dia 20 deste mês e 0,69% neste ano. E entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro, período abrangido pelo IGP-M deste mês, os seus três componentes apresentaram aumentos nos preços, mas não na média dos reajustes, que até caíram no varejo. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) baixou de 0,80% em janeiro para 0,51% em fevereiro. O Índice de Preços por Atacado (IPA) ficou na mesma taxa de janeiro (0,20%) e o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) baixou de 0,70% em janeiro para 0,42% em fevereiro.
Já o IPC da Fipe também ficou 0,05 ponto porcentual abaixo da média das expectativas dos analistas, de 0,42%. Porém, a média das taxas nas três quadrissemanas de fevereiro ainda está acima da projeção de 0,40% para o mês, feita pelo próprio coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti.
Contrário à leitura de boa parte dos analistas do mercado sobre a ata do Copom de fevereiro, Picchetti entende que a idéia do documento é de continuidade do ciclo de aperto monetário, iniciado em setembro. "A ata não fala em magnitude, mas de continuidade do aperto. Minha leitura caminha na direção do parágrafo 32, em que os diretores do BC citam a possibilidade de aumento do juro no caso de uma eventual reversão do cenário econômico."
Picchetti manteve também a sua projeção para o ano entre 5% e 5,5%. De acordo com ele, alguns dos itens que mais vêm pressionando a inflação já estão em desaceleração ou perto do pico de alta. Além disso, a medida de núcleo do IPC-Fipe vem se mantendo estável desde o fechamento de dezembro, fechando a terceira parcial de fevereiro em 0,29%.