Título: Gabinete aprova saída de Gaza
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Fonte: O Estado de São Paulo, 21/02/2005, Internacional, p. A11

Em decisão histórica, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, aprovou ontem por 17 votos a 5 o plano de retirada da Faixa de Gaza e de quatro assentamentos na Cisjordânia. Esta é a primeira vez que um governo de Israel decide desmantelar assentamentos judaicos nas zonas reclamadas pelos palestinos para um futuro Estado. Os inimigos do plano queriam que ele fosse submetido a um referendo popular nacional.

Horas depois, Sharon e o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, assinaram a ordem para que todos os assentamentos comecem a ser abandonados a partir de 20 de julho. Um comunicado do escritório do primeiro-ministro informou que os israelenses que se negarem a deixar essas zonas poderão ser desalojados à força. A retirada dos 9 mil colonos deve demorar cerca de oito semanas e será realizada em quatro etapas, que deverão ser aprovadas individualmente pelo gabinete de Sharon.

A liderança dos colonos israelenses, ferreamente oposta à retirada, acusou Sharon de ter obtido a aprovação do plano por meio de um golpe político.

"O governo de Sharon foi eleito com o fim de não fugir unilateralmente (de Gaza). Mas Sharon, por meio de um golpe político, transformou seu governo de direita em um governo de esquerda, cujo único objetivo é erradicar as colônias judaicas de Judéia e Samaria (Cisjordânia) e de Yésha (Gaza)", afirmou a direção dos colonos em um comunicado.

A Faixa de Gaza, região situada entre o sudoeste de Israel e na fronteira com o Egito onde vivem 1,3 milhões de pessoas - uma das regiões mais densamente povoadas do mundo - é entrecortada por 21 colônias judaicas. A área é ocupada por Israel desde 1967 (ver mapa).

O gabinete israelense também aprovou por 20 votos a 1 e 1 abstenção a nova rota da cerca de separação que está construindo nos territórios palestinos na Cisjordânia. A mudança de rota responde ao veredicto do Tribunal Supremo de Israel e busca reduzir o impacto da construção sobre a população palestina cujos terrenos e movimentação foram gravemente afetados.

Apesar de o novo traçado ser mais próximo da linha verde que separa Israel da Cisjordânia, grandes assentamentos judaicos permanecerão do lado israelense. O novo traçado supõe a anexação por Israel de 7% da Cisjordânia, onde também vivem cerca de 10 mil palestinos que ficarão isolados do restante do território. Ontem houve protestos contra o muro na localidade de Bil'in.

O líder palestino, Mahmud Abbas, disse em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel que Israel desde desmantelar todos os assentamentos e também parar com as construção do muro. "Que direito tem Israel para erguer assentamentos em nossa terra?", disse Abbas.