Título: Bibliotecas oferecem xerox
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/03/2005, Metrópole, p. C1

O xerox de livros ou de capítulos das obras é prática comum em universidades e faculdades públicas ou particulares. Muitas vezes, a própria biblioteca da instituição está ligada ao setor que faz as cópias, vendidas aos alunos por cerca de R$ 0,10 a página. Estudantes reclamam que o combate à pirataria tem de vir acompanhado de uma solução para que eles tenham acesso aos livros necessários para a sua formação. Eles argumentam que o preço do original é alto e não há exemplares suficientes nas bibliotecas. Principalmente nas carreiras da área de humanas, cada aula tem como base um ou mais capítulos de um determinado livro. A aula perde o sentido se o aluno não ler previamente o que foi pedido. "Precisaria comprar 40, 50 livros por ano", diz o estudante de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Diretório Central Estudantil (DCE) da instituição, Marcio Rosa Azevedo, de 23 anos. Para Azevedo, é preciso também equipar melhor os acervos das bibliotecas da universidade.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da USP, desde o fim do ano passado as cópias de livros estão proibidas. A instituição defende a autorização para xerox de livros raros, que não podem ser retirados das bibliotecas. A Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) formou recentemente uma comissão para estudar uma solução que substitua a prática do xerox.

O estudante de Fisioterapia Ricardo Magalhães, de 19 anos, está no segundo ano do curso e diz que, até agora, não pôde comprar um só livro pedido. "Tiro xerox dos capítulos mais importantes. Caso contrário, não teria como freqüentar as aulas", diz. Na área de saúde, as obras costumam custar entre R$ 200 e R$ 300.