Título: Pior atentado no Iraque: 125 mortos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2005, Internacional, p. A14

No mais violento e mortífero atentado com um único carro-bomba no Iraque desde o início da guerra, 125 pessoas morreram ontem em Hila, cidade a cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdá. O carro, dirigido por um motorista suicida, lançou-se contra um centro comercial lotado, onde recrutas da polícia iraquiana esperavam numa fila para submeterem-se a exames médicos. Segundo fontes hospitalares, os feridos eram cerca de 150 - muitos dos quais em estado grave. Logo após a explosão, dezenas de cadáveres se espalhavam pelo chão, assim como restos humanos foram lançados pelas ruas das proximidades, a dezenas de metros do ponto de impacto. Testemunhas afirmaram que muitos dos feridos tinham sido pisoteados pela multidão que fugia em pânico ao ouvir o ruído da explosão, que também causou graves danos nos edifícios e automóveis estacionados nas proximidades.

Até então, o maior ataque com carro-bomba no Iraque era o de 29 de agosto de 2003, no qual morreram 85 pessoas na frente de uma mesquita em Najaf, entre elas, o líder xiita aiatolá Mohamed Bakr al-Hakim.

"Eu estava na fila quando vi o Mitsubishi chegando devagar em nossa direção", disse um dos recrutas, Amir Hassan. "Então, ele explodiu numa grande bola de fogo. Quando abri os olhos, estava no hospital."

"O carro veio de uma travessa das proximidades", disse Zeyd Shamran, que testemunhou o atentado. "Havia duas pessoas no veículo e quando ele parou, um dos homens saiu, apertou a mão e beijou o outro homem. Momentos depois, o carro explodiu."

"Encontramos as mãos do motorista suicida presas ao volante do carro-bomba e um exemplar do Alcorão queimado", afirmou o bombeiro Ammar al-Ani. O diretor da polícia científica, Thamer Sultan, assinalou que o carro-bomba "estava carregado com vários quilos de TNT e dezenas de granadas de morteiro para causar o maior número de mortes possível".

"Esse foi um ato covarde contra cidadãos que escolheram viver honradamente, sem que caíssem na tentação do terrorismo e do crime", disse o governador da Província de Babilônia, cuja capital é Hila, Walid Janabi.

Hila tem população majoritariamente xiita, que tem sido alvo freqüente dos grupos insurgentes sunitas, na tentativa de incitar uma guerra civil entre as duas maiores seitas do Islã.

O primeiro-ministro interino iraquiano, Iyad Allawi, num artigo publicado ontem no The Wall Street Journal, criticou a ocupação americana por ter desmantelado o Exército iraquiano. Segundo ele, isso tem dificultado a reconciliação no país.