Título: Europa, EUA, Coréia... Eles saíram na frente
Autor: Herton Escobar
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/03/2005, Vida &, p. A20

As pesquisas com células-tronco embrionárias humanas já são realizadas em vários países desenvolvidos, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, mas também no Japão, em Israel, na Austrália e no Canadá. A maior parte utiliza linhagens derivadas de embriões "sobressalentes" das clínicas de fertilidade e doadas para pesquisa - como será no Brasil. Os trabalhos mais avançados do ponto de vista de aplicação terapêutica, entretanto, envolvem a produção de embriões clonados. A diferença é que os embriões congelados foram produzidos por meio da fertilização in vitro para o atendimento de casais inférteis (mas que acabaram não precisando deles), enquanto os clonados são produzidos a partir do material genético de células do próprio paciente, inserido em um óvulo sem núcleo e estimulado a formar um embrião. A técnica é a mesma que deu origem à ovelha Dolly; só que em vez de colocar o embrião dentro de um útero, ele é destruído para a obtenção das células-tronco.

A vantagem, no caso de uma futura aplicação médica, é que as células do embrião clonado são imediatamente compatíveis com a do paciente. Para pesquisa, entretanto, as de embriões congelados são igualmente válidas.

Os primeiros - e únicos até agora - a fazer clonagem terapêutica (para curar doenças) foram cientistas coreanos, no início de 2004. Quem também está na vanguarda da pesquisa é a Grã-Bretanha, que em agosto concedeu a primeira licença para clonagem de embriões humanos para pesquisa. A segunda foi anunciada há menos de um mês, para o cientista Ian Wilmut, do Roslin Institute, que clonou a ovelha Dolly em 1996.

Nos EUA, a clonagem é proibida e o financiamento federal para pesquisas com células-tronco embrionárias limitado a algumas linhagens existentes em 2001, por ordem do presidente Bush. Acredita-se que grande parte dos avanços americanos nessa área ocorra dentro da iniciativa privada, que não costuma divulgar seus resultados até o último instante. Há, entretanto, iniciativas estaduais: a Califórnia aprovou em dezembro, por meio de plebiscito, uma verba de US$ 3 bilhões para o estudo de células-tronco embrionárias.