Título: Fonteles deixa em junho a Procuradoria
Autor: João Domingos
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2005, Nacional, p. A7
BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, anunciou ontem que deixará o cargo no dia 30 de junho, quando vence seu mandato. Disse que não aceitará a recondução e já avisou o presidente Lula da decisão. "Já conversei com o presidente e também com a minha família. Avisei também o Senado, quando os senadores me sabatinaram", disse. "Portanto, cumpro meu mandato e deixo o cargo de procurador-geral." Ele afirmou que volta a exercer uma das Subprocuradorias da República, onde os procuradores encerram a carreira. "Volto para jogar nas quatro linhas." Com isso, acha que terá mais tempo para se dedicar às obras sociais, atividade que teve de suspender desde que foi escolhido procurador-geral. "Tenho trabalho social desenvolvido em conjunto com a Igreja Católica no Varjão (assentamento próximo ao rico Lago Norte) e com a recuperação de dependentes químicos." Fonteles é da Ordem Franciscana Secular.
Para ele, a experiência de trabalho em mais de um ano e meio no cargo de procurador-geral tem sido muito gratificante. "Foi um período muito bom, muito fértil. Quando defendi o governo, foi de forma muito equilibrada." Ele disse ainda que manteve um diálogo franco com Lula. "Não tenho nenhuma queixa dele. Só elogios. O presidente foi muito leal."
Fonteles afirmou que procurou o tempo todo responder às questões que chegaram à Procuradoria. "Não empurrei nada com a barriga, trabalhei em equipe e consegui mostrar que o MP, embora jovem, é uma instituição que pode fazer um trabalho sério, sem estrelismos." Durante sua gestão, ele abriu sindicância para apurar o envolvimento do procurador José Roberto Santoro na tentativa de conseguir uma confissão do empresário do jogo Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que comprometesse o ministro da Casa Civil, José Dirceu, no chamado caso Waldomiro Diniz .