Título: Rodrigues: 'Nosso carma é produzir'
Autor: Elder Ogliari
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/03/2005, Economia, p. B4
NÃO-ME-TOQUE, RS - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu que a quebra da safra de soja e o dólar baixo vão prejudicar a balança comercial brasileira neste ano. Apesar disso, ele acredita que o PIB agrícola nacional vai se manter, compensado pelo bom momento de café, açúcar e álcool, suco de laranja e carne. "É possível que o faturamento global do setor não caia muito, mas é provável que o saldo comercial caia", avaliou, para os 250 participantes do 16.º Fórum Nacional da Soja, evento paralelo à 6.ª Expodireto, feira de tecnologia e negócios agrícolas que se realiza em Não-me-Toque, cidade de 15 mil habitantes da região do Alto Jacuí, no noroeste gaúcho. Rodrigues recebeu de várias entidades um pedido de ajuda aos agricultores, que já perderam em média 55% da safra de milho e 45% da safra de soja, com prejuízos estimados em R$ 3,2 bilhões. Todas pedem o alongamento da dívida contraída com bancos oficiais e privados. Rodrigues lamentou os problemas deste ano, mas não ofereceu soluções imediatas, transferindo o anúncio para o presidente Lula, que visita o Estado na próxima semana.
Até lá, sugeriu que os produtores se juntem ao governador Germano Rigotto para oferecer um relatório único que será anexado a outro, formulado por técnicos de 11 ministérios, para detectar de onde virão os recursos para os produtores gaúchos.
O ministro tentou animar os agricultores, lembrando que o setor já passou por situações semelhantes no passado e sempre se reergueu. "Temos de pedalar sempre, é esse o nosso carma, nosso destino: produzir", afirmou. O potencial agrícola do País tem 30 milhões de hectares de pastagens transferidos para plantações em 15 anos, por causa do aumento da tecnologia na pecuária. Além disso, afirmou, o mundo espera mais 60 milhões de toneladas de grãos do Brasil, além da produção atual, nos próximos 10 anos.
A estiagem mudou a perspectiva da Expodireto deste ano. Os negócios estão parados. Os visitantes não compram: a preocupação com o pagamento da dívida é maior do que a vontade de investir na propriedade.
SAFRA PAULISTA
A estiagem em São Paulo vai comprometer a safra de soja que seria recorde no Estado, declarou o secretário estadual da Agricultura, Duarte Nogueira. A previsão inicial era atingir um recorde de produção, de 2 milhões de toneladas de soja, 12% a mais que na última safra, mas a seca nas regiões da Alta Paulista e Noroeste do Estado, vai impedir o crescimento.
Os primeiros levantamentos indicam quebra entre 10% e 20% das lavouras de soja e milho. O maior crescimento previsto é para a safra de algodão, ainda não atingida pela seca, que, segundo Nogueira, cresceu 30%, de 87 mil toneladas para 113 mil toneladas.
Duarte se reuniu ontem com produtores na Feira de Negócios da Agroindústria Sucroalcooleira (Feicana), em Araçatuba, e garantiu que vai analisar caso a caso os pedidos de renegociação das dívidas do Feap (Financiamento de Expansão do Agronegócio Paulista) com a Nossa Caixa. O Feap é dirigido a produtores com renda de até R$ 185 mil em 24 linhas de financiamento.