Título: Países do Oriente Médio reagem com otimismo
Autor: Paulo SoteroCorrespondente
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2005, Internacional, p. A13
CAIRO - No Oriente Médio alguns manifestaram otimismo pelas eleições iraquianas, mas outros advertiram que o caos no Iraque evitou uma eleição realmente representativa. As eleições no Iraque constituem "um grande passo dos iraquianos em direção a um regime popular e independente", declarou ontem Aladin Borudjerdi, presidente do Comitê de Relações Exteriores e de Segurança Nacional do Parlamento do Irã.
O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani disse, por sua vez, que os americanos nunca vão aceitar que o Iraque seja um país "livre e independente sem estar ao lado dos EUA e de Israel". Segundo Rafsanjani, os EUA "podem tentar manipular o resultado" ou mesmo dar um golpe se as eleições não forem satisfatórias a seus olhos.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, telefonou ontem ao primeiro-ministro iraquiano interino, Iyad Allawi, para felicitá-lo pelas eleições. Mubarak disse esperar que as eleições "levem a um processo político no qual todas as facções da sociedade iraquiana participem e criem meios de restaurar a calma e a estabilidade".
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Khalifa bin-Zayed al-Nahyan, felicitou e abençoou o novo governo iraquiano e a população pelas eleições, que "marcam início de uma estrada em direção à liberdade e a um futuro seguro para o Iraque".
O jornal de Abu Dabi Al-Ittihad proclamou na manchete de primeira página: "Hoje nasceu um novo Iraque". Outros jornais foram mais cautelosos e o Al-Sharq, do Catar, disse: "Não devemos nos levar pelo otimismo. As eleições foram convocadas para promover a democracia, mas não se realizaram em uma atmosfera apropriada."
O governo da Síria informou apenas que estava acompanhando atentamente a situação no país vizinho. No entanto, um analista sírio, Imad Shouebi, advertiu que a situação de segurança pode piorar se algumas etnias não tiverem representação entre os 275 membros da Assembléia Nacional Transitória. Os líderes da minoria sunita pediram o boicote às eleições e vários candidatos desistiram da disputa.
"Essas eleições não representam todos os setores iraquianos, o que significa que a situação de segurança não será resolvida tão já e pode causar instabilidade no restante da região", disse Shouebi.
O senador democrata John Kerry, que perdeu as eleições presidenciais americanas no ano passado, qualificou as eleições no Iraque de "significativas e importantes", mas disse que ninguém nos EUA deveria "supervalorizá-las". "Estas eleições são como um ponto de partida. O que conta agora é o esforço para legitimar uma reconciliação política."
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse ontem que as eleições iraquianas "eram o primeiro passo em um processo democrático". "Eles (os iraquianos) sabem que agora estão votando pelo futuro de seu país. Estão votando pelo dia em que eles tomarão seu destino em suas próprias mãos", disse Annan. "Este é um começo, não o fim."
A Rússia manifestou ontem a esperança de que as eleições no Iraque contribuam para a formação de organismos legítimos do poder e no restabelecimento da soberania desse país.
A França comemorou o alto comparecimento dos iraquianos em sua primeira eleição em décadas, dizendo que eles foram "corajosos" em ir votar apesar da da violência.
O primeiro-ministro italiano, disse que o sucesso das eleições mostram a força do desejo do povo iraquiano por liberdade e democracia. Ele também qualificou as eleições como um sucesso para as forças italianas e as outras lideradas pelos EUA que estão no Iraque.
A União Européia também saudou os iraquianos por sua "coragem e determinação."