Título: Bush exalta o 'retumbante sucesso' de eleições históricas
Autor: Paulo SoteroCorrespondente
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2005, Internacional, p. A13

Mas admite que a violência deve continuar, assim como as tropas do EUA permanecerão no país WASHINGTON - O presidente George W. Bush classificou ontem as eleições no Iraque de um "retumbante sucesso". Ele reconheceu, no entanto, que a histórica votação não fará cessar a violência e adiantou que as tropas americanas continuarão no país para treinar e ajudar os iraquianos "para que essa nascente democracia possa eventualmente assumir a responsabilidade por sua própria segurança". "O mundo está ouvindo a voz da liberdade do centro do Oriente Médio", afirmou Bush a repórteres, na Casa Branca, quatro horas depois do fechamento das urnas no Iraque, retomando o tema do discurso de inauguração de seu segundo mandato. Na declaração, de três minutos, (ler abaixo) o presidente enalteceu a coragem dos iraquianos e sublinhou o significado imediato do pleito, que a curto prazo deixa os adversários de sua política no Iraque na defensiva.

"Em grande número e sob grande risco, os iraquianos demonstraram seu compromisso com a democracia", afirmou. "Ao participar de eleições livres, o povo iraquiano rejeitou firmemente a ideologia antidemocrática dos terroristas: eles se recusaram a ser intimidados pelos bandidos e assassinos e mostraram o tipo de coragem que é sempre o alicerce do autogoverno." O presidente não respondeu a perguntas.

Assessores da Casa Branca reforçaram a mensagem. "Este é um dia notável para o povo iraquiano", afirmou a secretária de Estado, Condoleezza Rice, em entrevista na Fox News, uma das cinco que ela deu ontem às redes de TV, chamando atenção para o forte comparecimento às urnas num dia em que, segundo os comandantes militares americanos, as forças rebeldes realizaram mais de 170 ataques, ou três vezes a média das últimas semanas. "Em todo o país, apesar da intimidação, os iraquianos saíram em grande número para votar."

Condoleezza ressalvou, porém, que a eleição "foi apenas o primeiro passo de um longo caminho" e disse que a "a insurgência não vai desaparecer". Ela mostrou-se otimista, porém, sobre as chances de a maioria xiita, que representou o grosso da massa de eleitores ontem, lançar pontes aos sunitas, que boicotaram a votação, e os curdos, que participaram em números menos expressivos. Incluir representações das duas minorias na Assembléia Nacional eleita para escrever a nova Constituição é crucial para que a eleição, em lugar de ser o início de um processo de construção de um regime representativo, acirre os antigos ódios e agrave o conflito interno.

Brent Scrowcroft, que foi conselheiro de segurança nacional da administração republicana do pai do atual presidente, disse recentemente que o pleito poderia ser o estopim de uma guerra civil.