Título: Vale vai dar mais de US$ 2 bi de dividendos
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/03/2005, Economia, p. B6

A Vale do Rio Doce deve distribuir este ano até US$ 2,2 bilhões (R$ 5,9 bilhões) em dividendos a seus acionistas, de acordo com estimativas de mercado. Serão beneficiadas também as pessoas que sacaram parte do dinheiro do FGTS para comprar papéis da mineradora. O valor representa quase metade do lucro recorde previsto para 2005, em torno de R$ 13 bilhões. No período de 2001 a 2004, a companhia pagou aos acionistas US$ 3,1 bilhões. Ou seja, caso se confirmem as projeções, serão R$ 14,3 bilhões em dividendos em 5 anos. A mineradora, que vem batendo recordes de lucro desde 2002, mudou há dois anos sua política de remuneração aos acionistas, que passou a ser feita com base na geração de caixa. Com isso, os dividendos distribuídos no ano correspondem ao desempenho do próprio exercício. Para este ano, a previsão inicial da empresa era liberar US$ 1 bilhão, mas devido ao aumento recorde de 71,5% no preço do minério, que irá reforçar o caixa da empresa, analistas financeiros calculam que esse total irá, pelo menos, duplicar.

"Essa política (de dividendos baseados no caixa) aumenta a atratividade da ação para os investidores e é única, acredito eu, de uma empresa na América Latina", afirma o diretor financeiro da Vale, Fábio Barbosa, destacando que a nova metodologia tornou a remuneração mais previsível. Ele não quis comentar as projeções do mercado para os resultados deste ano e do exercício passado. A mineradora vai anunciar dia 21 o lucro consolidado de 2004 que, também pelas projeções de mercado, deve girar em torno de US$ 6 bilhões.

Por trás do forte desempenho e distribuição de ganhos este ano estão, além do reajuste do minério, aumentos de volumes de venda do produto. Também será o primeiro ano integral de produção e venda num novo segmento, de cobre.

"Sem dúvida, os números são superlativos. Estamos prevendo geração de caixa extremamente forte para a empresa em 2005", diz a analista Elaine de La Rocque, do BES Securities.

Distribuição de dividendos é direito que cabe a qualquer acionista, desde os investidores estrangeiros que compram os papéis negociados da empresa na Bolsa de Nova York (os ADRs), até quem usou parte do FGTS para a compra de ações. A Vale tem mais de 980 milhões de ações negociadas em mercado no Brasil (entre preferenciais e ordinárias) e quase 400 milhões de papéis no exterior. O dividendo é fixado em dólar, por cada ação.

Para 2004, a remuneração mínima proposta havia sido de US$ 550 milhões, mas o valor total chegou a US$ 800 milhões no fim do ano. Pela política da empresa, o dividendo é pago em duas parcelas, em abril e outubro.

A estimativa da analista Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking, é de que o pagamento dos dividendos chegará a US$ 2,2 bilhões. Para Elaine de La Rocque, o valor será da ordem de US$ 2 bilhões. Já na avaliação inicial de Pedro Galdi, da ABN Amro Real Corretora, a distribuição de dividendos seria de pelo menos US$ 1,5 bilhão. Ele destaca, porém, que aguarda a divulgação da empresa relativa ao balanço de 2004 para fazer uma revisão mais profunda nas projeções.

A PRIMEIRA

As projeções de lucro líquido para 2004 colocam o resultado da CVRD na sétima colocação entre os maiores lucros históricos de empresas abertas no capitalismo brasileiro, atrás apenas dos 5 lucros anuais da Petrobrás entre 2000 e 2004 (o maior deles, de R$ 19,1 bilhão ano passado) e do resultado da Telebrás em 1997 (R$ 6,5 bilhões), que ainda poderá ser ultrapassado. O levantamento atualiza os resultados de anos anteriores para valores de dezembro de 2004.

Na projeção de Galdi, analista do ABN, o lucro líquido da Vale seria de R$ 6,9 bilhões, mas de R$ 6,4 bilhões, na estimativa do Banif Investment.

Retirando as estatais da lista dos lucros recordes, feita pela Economática, a pedido do Estado, a Vale repetirá em 2004 a primazia que já conquistou no ano anterior: fez o maior lucro entre as empresas privadas brasileiras.

Para efeito de comparação, o maior resultado de um banco no ano passado foi de R$ 3,776 bilhões, caso do Itaú. No caso dos dividendos para 2004, a Vale ficaria na terceira colocação, atrás da Petrobrás (US$ 1,9 bilhão), Telesp Operacional (US$ 1,167 bilhão) e CSN (US$ 868 milhões).