Título: País ficou sério, diz governo a investidores
Autor: Rolf Kuntz
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/01/2005, Economia, p. B1

O Brasil virou um país sério e o governo não vai cometer nenhuma loucura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quatro de seus principais auxiliares repetiram essa mensagem exaustivamente, com diferentes palavras, às dezenas de executivos internacionais que se reuniram ontem, num hotel de luxo, para conhecer possibilidades de investimento no Brasil. Entre café da manhã, reunião plenária e almoço, uns 80 executivos ouviram o recado das autoridades brasileiras. É um número apreciável, embora uns 130 tivessem sido convidados. "Não vamos perder esta oportunidade", disse o presidente Lula, e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, traduziu o recado em termos econômicos. A economia está crescendo há cinco trimestre consecutivos. A expansão vai continuar? O ministro procurou mostrar que a história, desta vez, pode ser diferente.

Há dois anos, quando Lula esteve em Davos pela primeira vez, o Brasil ainda sofria os efeitos da turbulência financeira iniciada em 2002 e faltava confiança no País. Tanto o presidente quanto o ministro lembraram a crise de credibilidade.

O governo está decidido, segundo Palocci, a evitar a repetição de velhos erros, como a intervenção nos preços, que tornavam a economia instável e acabavam causando a interrupção dos ciclos de crescimento.

A política econômica, disse o ministro, está voltada tanto para a melhora dos fundamentos fiscais e monetários quanto para a criação de "instituições e regras que estimulem os investimentos privados, novos empreendimentos e a geração de empregos".

A austeridade fiscal, primeiro pilar da política macroeconômica, tem como objetivo reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), disse. Essa relação caiu de 57,2% para 51,5% no último ano, contou o ministro. Os outros dois pilares são a política monetária baseada em metas de inflação e o regime de câmbio flutuante.

O câmbio, apesar da valorização do real, que encarece os produtos brasileiros e barateia os importados, "ainda se encontra num patamar bastante confortável para as exportações", disse Palocci.

O tema da segurança e da estabilidade foi repisado, com alguma variação, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. A massa enorme de números e detalhes técnicos das exposições de Palocci e Meirelles parece ter sido muito tranqüilizante. Havia gente dormindo quando começou a exposição do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

Ele deu uma descrição ampla do potencial do Brasil, mostrando que só quatro países têm área superior a 5 milhões de quilômetros quadrados, mais de 150 milhões de habitantes e PIB maior que US$ 600 bilhões. Os outros são Estados Unidos, China e Rússia. Furlan apresentou o Brasil como um país capaz de produzir pesquisas importantes, como a do genoma, de inovar em tecnologia e de exportar produtos de alto valor agregado.