Título: Metais vão levar exportação a US$ 100 bi
Autor: Márcia De Chiara
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/01/2005, Economia, p. B7

As exportações brasileiras poderão atingir este ano a tão sonhada meta de US$ 100 bilhões, após terem batido o recorde de US$ 96,5 bilhões em 2004. Analistas acreditam que essa cifra seja factível, apesar do real valorizado, da perspectiva de crescimento mundial menor e do recuo das cotações dos produtos do agronegócio - que respondeu em 2004 por cerca de 40% de tudo que o País vendeu no exterior. O pulo do gato para atingir esse alvo é que a queda da receita de exportação das commodities agrícolas por causa do recuo dos preços desses produtos deverá ser mais do que compensada pelo desempenho das vendas externas de commodities metálicas, entre as quais estão o aço e o minério de ferro, cujos preços continuam em alta, observa o economista Fábio Silveira, sócio da MSConsult. Além disso, ele ressalta que as exportações de máquinas e bens de consumo deverão sustentar outra parcela desse resultado comercial.

A perspectiva é de que as vendas externas de bens de consumo cresçam 7,5%, seguidas pelas exportações de bens de capital, com alta de 7,1%. As exportações de petróleo e derivados deverão ter um acréscimo de 10,6% ante o ano passado, enquanto para os bens intermediários é esperado um aumento de apenas 1,2%. Já a receita do agronegócio deverá cair 8,5% ante 2004, prevê a consultoria.

Apesar do recuo do contribuição do campo no comércio exterior, os prognósticos para as exportações este ano são favoráveis. Um estudo realizado pela consultoria GRCVisão levando em conta os principais países e blocos econômicos para os quais o Brasil exportou em 2004 - Estados Unidos, União Européia, Argentina, China, Chile e Japão - e as respectivas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dessas regiões revela que, na média, as exportações brasileiras deverão crescer este ano 3,9%. Com isso, somariam R$ 100,2 bilhões, considerando um dólar médio de R$ 2,70 ao longo de 2005.

O diretor da GRCVisão e responsável pelo estudo, Alexandre Fisher, ressalta que o cenário mais provável é de crescimento moderado das exportações globais, que leva em conta um aumento de 3,5% do PIB dos Estados Unidos e vendas externas para aquele país 9% maiores. No caso da China, a hipótese considerada é de alta de 7% no PIB, que resultará no crescimento de 21,6% das vendas externas.

Mas a consultoria trabalha também com dois outros cenários. Um deles é bem mais otimista para o crescimento das economias nos países de destino e considera que as exportações brasileiras poderão crescer 5%. Com isso somariam US$ 101,3 bilhões, ultrapassando a meta de US$ 100 bilhões.

Já o cenário pessimista, considera como principal fator de risco a evolução das taxas de juros dos Estados Unidos, que é a grande incógnita para os analistas traçarem projeções internacionais. Neste caso, a perspectiva de crescimento das exportações brasileiras em 2005 seria de 2,6% e as vendas externas alcançariam US$ 99 bilhões.