Título: Só entidades de esquerda indicam alunos
Autor: Lisandra Paraguassú
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/02/2005, Nacional, p. A5

CRITÉRIOS: Cuba abriga hoje, na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), cerca de 600 alunos brasileiros com bolsas. Desde 1999, quando começou o programa, a cada ano embarcam pelo menos cem estudantes pobres e ligados a movimentos sociais ou partidos de esquerda. É esse um dos principais critérios determinados pelo governo cubano para que os bolsistas sejam aceitos. Quando criou a Elam, há seis anos, o governo cubano pretendia formar quadros de médicos para toda a América Latina. Cada um dos países recebe um determinado número de bolsas, divididas entre partidos e movimentos sociais, que fazem a seleção. No Brasil, além do PT, têm direito de selecionar bolsistas o PC do B, o Movimento dos Sem-Terra (MST) e o Comitê de Movimentos Populares. Para pleitear uma vaga é preciso ter menos de 25 anos de idade, ter completado o ensino médio com boas notas, apresentar um certificado médico de boa saúde, inclusive mental, e de bons antecedentes. O governo cubano ainda pede atestado negativo de gravidez e algo que, no Brasil, é irregular: exame negativo de aids. A justificativa seria a necessidade de evitar que a doença se espalhe no país. Apesar das conhecidas dificuldades financeiras cubanas, o governo de Fidel Castro oferece aos estudantes alojamentos, material escolar, refeições, tratamento médico e dentário e uma ajuda de custo de 100 pesos cubanos - R$ 262,00. Recentemente, Cuba passou também a aceitar, além dos latino-americanos, estudantes americanos. O número de vagas oferecidas a cada um dos partidos ou movimentos sociais varia de acordo com seu peso no país. No caso do Brasil, o PT possuiu o maior número de bolsistas. Em 2004, foram selecionados 13 jovens. O PC do B mandou seis estudantes. Cada um dos movimentos sociais ou partidos pode acrescentar critérios próprios de seleção aos já exigidos por Cuba.