Título: Petrobrás reativa logística
Autor: Agnaldo Brito
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/02/2005, Economia, p. B5

A Petrobrás Distribuidora estuda reativar os Centros Coletores de Álcool (CCAs) para servir de suporte logístico às exportações brasileiras. A estrutura, hoje praticamente desativada, servia à BR Distribuidora quando era prerrogativa da estatal o recolhimento do álcool combustível para posterior entrega às distribuidoras. A desregulamentação da atividade liberou a BR da função, que foi repassada diretamente às distribuidoras. "À medida que se mostrarem necessários, a Petrobrás Distribuidora reativará esses centros", diz a empresa. Em nota, a BR "vê na exportação do álcool uma possibilidade de reativação desses CCAs, como forma de melhorar a logística de escoamento".

A BR dispõe hoje de oito centros, com capacidade estática para armazenagem de 95 milhões de litros de álcool: três em Minas Gerais, três em São Paulo, Paraná (Londrina) e Sergipe (Aracaju). Em fevereiro, a BR reativará o CCA de Araraquara. O setor também aguarda o projeto da Transpetro de dutos para transferência de grandes volumes de álcool, que reduziria o custo logístico, hoje em US$ 35 o metro cúbico no navio. Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o problema está no custo de criação do lastro, um volume estático necessário à operação dos dutos.

FERROVIA

"Da mão para a boca." É assim que Paulo Costa, da Crystalsev, resume o modelo sobre o qual vigora o mercado internacional de álcool para o qual o País pretende ser o principal fornecedor. Não há contratos de longo prazo: predomina o curto prazo. Esta é a maior dificuldade em viabilizar logística mais eficaz para a exportação.

"Faltam contratos e planejamento de longo prazo", diz José Maria Ribeiro de Almeida, diretor comercial da Brasil Ferrovias. O pouco trânsito de álcool pela ferrovia tem como origem e destino o interior de São Paulo, das áreas de produção à Paulínia. Isso não por falta de oportunidade.

A BF fez um estudo sobre o posicionamento das usinas produtoras de açúcar e álcool e constatou o óbvio. Há carga para exportação. O que não existe é um plano. O estudo diz que a exportação de álcool para Santos a partir do interior paulista, numa visão conservadora, seria 2,4 bilhões de litros na safra 2006/2007 (+ 362%).

São Paulo, principal centro produtor, tem 81 usinas a distâncias superiores a 400 km de Santos e 80 km da linha férrea, diz Almeida. Assim, indica o estudo, a ferrovia é competitiva em custo com o modal rodoviário. Mas, para a demanda estimada da safra 2006/2007, o investimento só em material rodante (locomotivas e vagões) é de US$ 66 milhões.