Título: Para grupo, Chávez supera Lula
Autor: Roldão Arruda
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/02/2005, Nacional, p. A4
A Via Campesina aprecia mais o governo do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, do que o de Luiz Inácio Lula da Silva. Seus líderes acreditam que o presidente venezuelano conseguirá manter o território de seu país livre de transgênicos e executará uma extraordinária reforma agrária. Ao mesmo tempo criticam a forma como Lula age na questão dos transgênicos, a lentidão na execução do Plano Nacional de Reforma Agrária e a política econômica. Também pesa na comparação a atitude diante da Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto Chávez é elogiado por criticá-la, Lula é acusado de complacência. "É deplorável a maneira como o governo Lula tem agido, favorecendo negociações com a OMC e, pior de tudo, pleiteando uma secretaria naquela organização", disse Paul Nicholson, um dos líderes europeus do movimento, ao lado do francês José Bové.
As ligações com Chávez se estreitam a cada ano. Em 2003, quando simpatizantes e opositores do presidente venezuelano se enfrentavam nas ruas, líderes da Via Campesina divulgaram uma nota manifestando apoio a ele. Redigida na Bélgica, onde estavam reunidos, criticava "setores recalcitrantes da Venezuela que querem manter seus privilégios".
A simpatia é recíproca. Quando foi a Porto Alegre, participar do Fórum Social Mundial, o presidente venezuelano visitou um assentamento do MST, amarrou no pescoço o lenço verde da Via Campesina e, lado de João Pedro Stédile, anunciou: "Após o grande triunfo popular de 15 de agosto, estamos entrando em uma nova etapa e uma de suas linhas estratégicas será o 'não ao latifúndio'."
Em seguida o presidente Chávez reuniu-se à parte com um grupo selecionado de sem-terra. Entre eles, de camisa branca e chapéu de palha, encontrava-se o bispo católico d. Tomás Balduíno.
ROMARIA
Ele preside a Comissão Pastoral da Terra (CPT), cuja agenda também vai se articulando com a do MST e a da Via Campesina. Ontem, na 28.ª edição da Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, milhares de pessoas condenaram o uso de transgênicos e defenderam o uso de sementes crioulas.
O ato ocorreu na zona rural de Cruzeiro do Sul, a 120 quilômetros de Porto Alegre, e teve apoio da Diocese de Santa Cruz do Sul. Foi acompanhado por pequenos agricultores e militantes de movimentos sociais. Alguns levaram cestos com terra e grãos de feijão e milho. Ao final houve uma missa campal. O ministro das Cidades, Olívio Dutra, que participa desde a primeira edição, estava entre os romeiros.