Título: A interminável discussão em torno das células-tronco
Autor: Herton Escobar
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/02/2005, Vida &, p. A9

As células-tronco são células ainda sem função definida - "em branco", por assim dizer -, que em algum momento se diferenciam para formar tecidos específicos do organismo, como do coração, da pele e do cérebro. Cientistas ao redor do mundo esperam explorar essa função curinga na recuperação de tecidos lesionados e no tratamento de doenças degenerativas graves, como o mal de Parkinson e Alzheimer. Elas podem ser encontradas em vários pontos do organismo adulto - principalmente na medula óssea -, no sangue de cordão umbilical e nos embriões. É nesse último caso que a pesquisa se torna polêmica, pois exige a destruição dos embriões para sua obtenção. Pesquisadores no Brasil reivindicam o direito de pesquisar células-tronco de embriões "sobressalentes" das clínicas de fertilidade, o que é diferente do trabalho proposto por Ian Wilmut, envolvendo a produção de embriões clonados.

Todas as pesquisas autorizadas no Brasil até agora utilizam células-tronco de tecidos adultos. Os primeiros a anunciar a clonagem de embriões humanos foram pesquisadores coreanos, em um artigo publicado no início do ano passado. Eles produziram 20 embriões clonados a partir de células de pacientes voluntárias, também para fins de pesquisa com células-tronco.