Título: Schincariol anuncia planos para uma fábrica num país sul-americano
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/02/2005, Economia/Carreira, p. B14

RIO - O Grupo Schincariol, que inaugura este ano três novas fábricas, já estuda a possibilidade de instalar, a partir de 2007, sua primeira unidade de produção no exterior. Segundo o diretor de Planejamento da empresa, José Francischinelli, será na América do Sul, mas ainda não há definição do país. Na semana passada, o grupo teve aprovados dois financiamentos do BNDES no valor total de R$ 227,8 milhões para as fábricas de Igrejinha (RS), que será inaugurada oficialmente no próximo dia 25, e Benevides (PA), que entra em operação até agosto. Até 1997, quando foi inaugurada a unidade baiana de Alagoinhas, só havia a matriz, em Itu (SP).

A pulverização da produção por todo o País segue a estratégia da empresa de reduzir custos de transporte e logística e ampliar sua fatia no mercado consumidor. Em 1991, a cervejaria detinha somente 1% do mercado. Hoje são 12% segundo dados da ACNielsen, e 16%, pelas contas do próprio grupo. Pelas estatísticas de maio de 2004, a AmBev, líder nacional e detentora das marcas Skol, Brahma e Antarctica, estava com 65%.

A Nova Schin não conseguirá manter o mesmo ritmo de crescimento dos últimos anos, como reconhecem os próprios diretores do grupo, mas a meta é abocanhar ainda uma parcela significativa de consumidores, chegando 20% no final de 2006. A empresa já pode ser considerada um peso pesado do setor, um segmento de mercado marcado pela concentração.

No ano passado, o grupo Schincariol cresceu 58%. O faturamento chegou a R$ 2,54 bilhões, quase R$ 1 bilhão acima do resultado de 2003, ano do lançamento da cerveja Nova Schin. A divisão de cerveja respondeu por 80% das vendas (R$ 2,017 bilhões), enquanto os outros 20% ficaram com a área de não-alcóolicos. Para este ano, a companhia projeta um crescimento de 15% nas vendas em relação ao ano passado.

Segundo Francischinelli, desde 2002 o grupo já investiu cerca de R$ 600 milhões em quatro pontos de produção, incluindo a de Igrejinha, que, além de abastecer os mercados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também terá parte de sua produção voltada à exportação. No ano passado, cerca de 3,5% do faturamento do grupo vieram de vendas externas. Com a nova fábrica, esta parcela deve subir para 5%.

No fim do ano, será inaugurada mais uma unidade, em Três Lagoas (MS). Outras duas estão sendo planejadas para o Ceará e Minas Gerais. Com isso, serão 11 fábricas, nove delas construídas a partir de 2000.