Título: A volta do fantasma do tsunami
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2005, Internacional, p. A11

Há três meses um tsunami, provocado por um terremoto na mesma região do ocorrido ontem tirou a vida de quase 300 mil pessoas na Indonésia, Tailândia, Sri Lanka, Malásia e Índia e deixou cerca de 2 milhões ao desabrigo. Entre esses mortos havia milhares de turistas estrangeiros, na maioria europeus, e a diplomata brasileira Lys Amayo de Benedek, de 48 anos, e o filho dela, Gianluca, de 10.

Ondas de mais de 10 metros de altura cobriram praias de dezenas de balneários daqueles países do Sudeste Asiático, repletos de turistas. Era uma manhã ensolarada quando um violento terremoto de 8,9 graus na escala Richter ocorreu no fundo do mar no litoral da Ilha de Sumatra, na Indonésia, quase no mesmo ponto, onde se registrou o de ontem.

Na Ilha de Nias, próxima do epicentro, centenas de casas ruíram e mais de 300 pessoas morreram. Pelo menos 10 mil pessoas ali ficaram ao desabrigo. Essa mesma ilha foi a mais atingida pelo abalo de ontem.

Em dezembro, cerca de uma hora depois, as gigantescas ondas formadas pelo grande impacto do terremoto começaram a atingir as praias da região.

Os turistas nadavam no mar calmo ou tomavam sol nas praias. De repente, contam os sobreviventes houve um grande recuo das águas e das ondas. "O mar parecia calmo, assustadoramente calmo e recuado", disse um turista alemão do balneário tailandês de Phuket. "Minutos depois uma gigantesca onda cobriu tudo. Foi terrível", acrescentou.

As primeiras informações já indicavam um grande número de mortos e desabrigados. Surpreendidos pela catástrofe inesperada os governos dos países atingidos, muitos deles sem recursos, demoraram para socorrer os flagelados. A ajuda externa também demorou a chegar.

Passada uma semana, o número de mortos já se elevava a dezenas de milhares. As Nações Unidas dirigiram, então, um dramático apelo aos países industrializados. Os Estados Unidos que, em princípio haviam destinado uma soma irrisória para os flagelados, anunciaram uma ajuda milionária. O presidente George W. Bush criou uma comissão especial, por dois ex-presidente, seu pai George Bush, e Bill Clinton, que se dirigiram ao local e ainda colhem fundos para a reconstrução dos países atingidos.