Título: Devassa mostra corrupção na PF
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2005, Metrópole, p. C1

Correição feita na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo constatou que cerca de 40% dos policiais estavam envolvidos em irregularidades como desvio de mercadorias apreendidas, corrupção na condução de inquéritos e fraudes para favorecer ou prejudicar investigados. As mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos de origem estrangeira, equivalem a R$ 1,5 milhão por ano, segundo estimativa do delegado Euclides Rodrigues da Silva Filho, chefe da Coordenação-Geral de Correições da PF. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou ontem que processo igual ao de São Paulo será desencadeado nas superintendências da PF em todo o País para limpar vestígios de ineficiência e corrupção na instituição.

Pelo menos 88 delegados e escrivães, entre os 220 investigados, estavam envolvidos em irregularidades sistemáticas na condução dos 10.570 inquéritos analisados e podem sofrer punições como advertência, expulsão e prisão. Conforme o relatório da correição, ao qual o Estado teve acesso, 70% dos inquéritos continham falhas, 30% criminosas.

Os próximos Estados onde a PF sofrerá devassa são Espírito Santo, Rio, Minas e Mato Grosso do Sul, os mais problemáticos. Os demais entrarão num escalonamento por cinco anos. "Vamos continuar cortando na carne. Eu acredito que esse trabalho tornará a PF um organismo mais ágil e em melhores condições para cumprir suas funções", disse o ministro. Ele se mostrou preocupado com o número de irregularidades.

Concluída na semana passada, após seis meses de investigação, a correição na capital paulista constatou que grande parte das mercadorias apreendidas pela PF era partilhada entre policiais corruptos. O volume de mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos, equivale a R$ 130 mil ao mês, ou mais de R$ 1,5 milhão ao ano. Com base nos dados levantados, a inteligência da PF busca descobrir para onde iam as mercadorias - se havia uma rede de receptadores ou se o material era estocado em algum depósito.

Durante a investigação, comandada por Silva Filho, foi detectada grande quantidade de mercadoria estrangeira sem apreensão formalizada. Parte do material simplesmente não era registrado como apreendido. Num lote de 100 computadores, por exemplo, 20 tinham auto de apreensão. Como a PF só enviava à Receita o material apreendido formalmente, constatou-se indício de que a parte não declarada era partilhada.

INQUÉRITOS

A correição abrangeu 10.570 inquéritos na Superintendência da PF em São Paulo entre 1997 e 2004. Cerca de 70%, diz Silva Filho, não foram feitos de acordo com a ética ou as normas técnicas. O interior do Estado será investigado numa segunda etapa.

As investigações constataram que, dos 132 delegados e 88 escrivães investigados, 40% cometeram alguma irregularidade. Isso já resultou em 30 sindicâncias por irregularidades graves. Além do risco de expulsão, os envolvidos responderão a inquérito criminal por formação de quadrilha, corrupção e improbidade.

Segundo delegado, oito inquéritos vão investigar a não-formalização de bens apreendidos. O material analisado é suficiente para encher vários contêineres. Diversos lotes analisados não condiziam com o material arrecadado.

Também foram encontradas mais de 4 mil notícias-crime sobre denúncias diversas sem instauração de investigação. Ao todo, foram encontradas 64 tipos de irregularidades no andamento dos inquéritos. Muitos eram apresentados à Justiça com relatórios prematuros.

Era tal o descalabro encontrado, sobretudo na gestão do ex-superintendente Francisco Baltazar da Silva, que os policiais corretos reclamavam de ser discriminados no trabalho.

Havia casos de investigações com mais de oito anos de tramitação, nas quais passaram até 12 delegados, sem nenhum ter dado solução. O trabalho de vários delegados paulistas, constata o relatório da correição, "era de tão péssima qualidade" que afeta a "imagem da corporação".

Entre os inquéritos engavetados de forma suspeita, alguns envolviam o contrabandista Law Kin Chong, sua mulher e vários parentes. "O órgão que tem a confiança dos brasileiros para combater a corrupção, não pode conviver com essas mazelas", disse o corregedor.

Há grande expectativa em relação à correição a ser feita no Rio, a partir de maio. Em São Paulo 94 policiais de outros Estados investigaram a instituição, em sistema de revezamento. O mesmo efetivo será empregado no Rio. Há dez anos não havia correição extraordinária em São Paulo. Devassa mostra corrupção na PF Apuração em SP pode levar à punição de 40% dos delegados; desvio de mercadoria apreendida chegava a R$ 1,5 milhão por ano SOB SUSPEITA Vannildo Mendes Correição feita na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo constatou que cerca de 40% dos policiais estavam envolvidos em irregularidades como desvio de mercadorias apreendidas, corrupção na condução de inquéritos e fraudes para favorecer ou prejudicar investigados. As mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos de origem estrangeira, equivalem a R$ 1,5 milhão por ano, segundo estimativa do delegado Euclides Rodrigues da Silva Filho, chefe da Coordenação-Geral de Correições da PF.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou ontem que processo igual ao de São Paulo será desencadeado nas superintendências da PF em todo o País para limpar vestígios de ineficiência e corrupção na instituição.

Pelo menos 88 delegados e escrivães, entre os 220 investigados, estavam envolvidos em irregularidades sistemáticas na condução dos 10.570 inquéritos analisados e podem sofrer punições como advertência, expulsão e prisão. Conforme o relatório da correição, ao qual o Estado teve acesso, 70% dos inquéritos continham falhas, 30% criminosas.

Os próximos Estados onde a PF sofrerá devassa são Espírito Santo, Rio, Minas e Mato Grosso do Sul, os mais problemáticos. Os demais entrarão num escalonamento por cinco anos. "Vamos continuar cortando na carne. Eu acredito que esse trabalho tornará a PF um organismo mais ágil e em melhores condições para cumprir suas funções", disse o ministro. Ele se mostrou preocupado com o número de irregularidades.

Concluída na semana passada, após seis meses de investigação, a correição na capital paulista constatou que grande parte das mercadorias apreendidas pela PF era partilhada entre policiais corruptos. O volume de mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos, equivale a R$ 130 mil ao mês, ou mais de R$ 1,5 milhão ao ano. Com base nos dados levantados, a inteligência da PF busca descobrir para onde iam as mercadorias - se havia uma rede de receptadores ou se o material era estocado em algum depósito.

Durante a investigação, comandada por Silva Filho, foi detectada grande quantidade de mercadoria estrangeira sem apreensão formalizada. Parte do material simplesmente não era registrado como apreendido. Num lote de 100 computadores, por exemplo, 20 tinham auto de apreensão. Como a PF só enviava à Receita o material apreendido formalmente, constatou-se indício de que a parte não declarada era partilhada.

INQUÉRITOS

A correição abrangeu 10.570 inquéritos na Superintendência da PF em São Paulo entre 1997 e 2004. Cerca de 70%, diz Silva Filho, não foram feitos de acordo com a ética ou as normas técnicas. O interior do Estado será investigado numa segunda etapa.

As investigações constataram que, dos 132 delegados e 88 escrivães investigados, 40% cometeram alguma irregularidade. Isso já resultou em 30 sindicâncias por irregularidades graves. Além do risco de expulsão, os envolvidos responderão a inquérito criminal por formação de quadrilha, corrupção e improbidade.

Segundo delegado, oito inquéritos vão investigar a não-formalização de bens apreendidos. O material analisado é suficiente para encher vários contêineres. Diversos lotes analisados não condiziam com o material arrecadado.

Também foram encontradas mais de 4 mil notícias-crime sobre denúncias diversas sem instauração de investigação. Ao todo, foram encontradas 64 tipos de irregularidades no andamento dos inquéritos. Muitos eram apresentados à Justiça com relatórios prematuros.

Era tal o descalabro encontrado, sobretudo na gestão do ex-superintendente Francisco Baltazar da Silva, que os policiais corretos reclamavam de ser discriminados no trabalho.

Havia casos de investigações com mais de oito anos de tramitação, nas quais passaram até 12 delegados, sem nenhum ter dado solução. O trabalho de vários delegados paulistas, constata o relatório da correição, "era de tão péssima qualidade" que afeta a "imagem da corporação".

Entre os inquéritos engavetados de forma suspeita, alguns envolviam o contrabandista Law Kin Chong, sua mulher e vários parentes. "O órgão que tem a confiança dos brasileiros para combater a corrupção, não pode conviver com essas mazelas", disse o corregedor.

Há grande expectativa em relação à correição a ser feita no Rio, a partir de maio. Em São Paulo 94 policiais de outros Estados investigaram a instituição, em sistema de revezamento. O mesmo efetivo será empregado no Rio. Há dez anos não havia correição extraordinária em São Paulo. Devassa mostra corrupção na PF Apuração em SP pode levar à punição de 40% dos delegados; desvio de mercadoria apreendida chegava a R$ 1,5 milhão por ano SOB SUSPEITA Vannildo Mendes Correição feita na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo constatou que cerca de 40% dos policiais estavam envolvidos em irregularidades como desvio de mercadorias apreendidas, corrupção na condução de inquéritos e fraudes para favorecer ou prejudicar investigados. As mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos de origem estrangeira, equivalem a R$ 1,5 milhão por ano, segundo estimativa do delegado Euclides Rodrigues da Silva Filho, chefe da Coordenação-Geral de Correições da PF.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou ontem que processo igual ao de São Paulo será desencadeado nas superintendências da PF em todo o País para limpar vestígios de ineficiência e corrupção na instituição.

Pelo menos 88 delegados e escrivães, entre os 220 investigados, estavam envolvidos em irregularidades sistemáticas na condução dos 10.570 inquéritos analisados e podem sofrer punições como advertência, expulsão e prisão. Conforme o relatório da correição, ao qual o Estado teve acesso, 70% dos inquéritos continham falhas, 30% criminosas.

Os próximos Estados onde a PF sofrerá devassa são Espírito Santo, Rio, Minas e Mato Grosso do Sul, os mais problemáticos. Os demais entrarão num escalonamento por cinco anos. "Vamos continuar cortando na carne. Eu acredito que esse trabalho tornará a PF um organismo mais ágil e em melhores condições para cumprir suas funções", disse o ministro. Ele se mostrou preocupado com o número de irregularidades.

Concluída na semana passada, após seis meses de investigação, a correição na capital paulista constatou que grande parte das mercadorias apreendidas pela PF era partilhada entre policiais corruptos. O volume de mercadorias desviadas, sobretudo equipamentos eletrônicos, equivale a R$ 130 mil ao mês, ou mais de R$ 1,5 milhão ao ano. Com base nos dados levantados, a inteligência da PF busca descobrir para onde iam as mercadorias - se havia uma rede de receptadores ou se o material era estocado em algum depósito.

Durante a investigação, comandada por Silva Filho, foi detectada grande quantidade de mercadoria estrangeira sem apreensão formalizada. Parte do material simplesmente não era registrado como apreendido. Num lote de 100 computadores, por exemplo, 20 tinham auto de apreensão. Como a PF só enviava à Receita o material apreendido formalmente, constatou-se indício de que a parte não declarada era partilhada.

INQUÉRITOS

A correição abrangeu 10.570 inquéritos na Superintendência da PF em São Paulo entre 1997 e 2004. Cerca de 70%, diz Silva Filho, não foram feitos de acordo com a ética ou as normas técnicas. O interior do Estado será investigado numa segunda etapa.

As investigações constataram que, dos 132 delegados e 88 escrivães investigados, 40% cometeram alguma irregularidade. Isso já resultou em 30 sindicâncias por irregularidades graves. Além do risco de expulsão, os envolvidos responderão a inquérito criminal por formação de quadrilha, corrupção e improbidade.

Segundo delegado, oito inquéritos vão investigar a não-formalização de bens apreendidos. O material analisado é suficiente para encher vários contêineres. Diversos lotes analisados não condiziam com o material arrecadado.

Também foram encontradas mais de 4 mil notícias-crime sobre denúncias diversas sem instauração de investigação. Ao todo, foram encontradas 64 tipos de irregularidades no andamento dos inquéritos. Muitos eram apresentados à Justiça com relatórios prematuros.

Era tal o descalabro encontrado, sobretudo na gestão do ex-superintendente Francisco Baltazar da Silva, que os policiais corretos reclamavam de ser discriminados no trabalho.

Havia casos de investigações com mais de oito anos de tramitação, nas quais passaram até 12 delegados, sem nenhum ter dado solução. O trabalho de vários delegados paulistas, constata o relatório da correição, "era de tão péssima qualidade" que afeta a "imagem da corporação".

Entre os inquéritos engavetados de forma suspeita, alguns envolviam o contrabandista Law Kin Chong, sua mulher e vários parentes. "O órgão que tem a confiança dos brasileiros para combater a corrupção, não pode conviver com essas mazelas", disse o corregedor.

Há grande expectativa em relação à correição a ser feita no Rio, a partir de maio. Em São Paulo 94 policiais de outros Estados investigaram a instituição, em sistema de revezamento. O mesmo efetivo será empregado no Rio. Há dez anos não havia correição extraordinária em São Paulo. v