Título: Em Havana, Fidel diz que ainda não perdeu esperança em Lula nem no PT
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/02/2005, Nacional, p. A6
O presidente cubano, Fidel Castro, disse ontem que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo atual governo no Brasil, ainda não perdeu a esperança no colega Luiz Inácio Lula da Silva nem no PT. Ele pediu que os críticos, sobretudo os da esquerda, não julguem o presidente brasileiro sem considerar as conjunturas políticas que ele enfrenta. "Apesar dos problemas, não perdi a esperança nem no Partido dos Trabalhadores nem em Lula", afirmou Fidel, durante um longo discurso, de seis horas, que começou na noite de sexta-feira e terminou na madrugada de ontem.
Fidel, que falava a economistas de 30 países, reunidos em um encontro sobre globalização, rebateu comentários de que Lula havia perdido a sensibilidade social que o levou "de um sindicato à Presidência". "Eu sempre digo que, quando julgarem, levem em conta as circunstâncias", enfatizou o líder cubano.
Segundo Fidel, o presidente brasileiro está limitado porque seu partido tem "poucos parlamentares" (na verdade, o PT tem a maior bancada da Câmara, sem contar os partidos aliados) e também porque o Brasil tem problemas enormes.
Além disso, ressaltou o presidente cubano, Lula é pressionado por organismos internacionais que fixam limites rígidos para o déficit e limitam os investimentos na área social.
As declarações do líder cubano são, de certa forma, uma repercussão das vaias e críticas recebidas por Lula no Fórum Social Mundial, ocorrido no mês passado, em Porto Alegre. Houve protestos contra a política econômica ortodoxa e o controle dos gastos públicos.
RELAÇÕES
As relações entre Cuba e Brasil, que nos governos anteriores eram pouco expressivas, se estreitaram a partir da eleição de Lula à Presidência. Em 2003, o comércio entre os dois países atingiu US$ 90 milhões e em 2004 quase dobrou, saltando para US$ 170 milhões.