Título: Renan e Suassuna defendem ministro
Autor: Christiane Samarco
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2005, Nacional, p. A4

Presidente do Senado diz que Jucá será o melhor titular que Previdência já teve Provocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PMDB saiu ontem em socorro do ministro da Previdência, Romero Jucá. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), convocou as emissoras de televisão para fazer a defesa do ministro, envolvido em denúncias de uso indevido de financiamento público e de suspeita de corrupção. "Romero é uma indicação que honra muito o partido. Ele tem respondido a absolutamente tudo, de forma convincente, e não temos nenhuma dúvida de que será o melhor ministro da Previdência de todos os tempos", disse Renan. A manifestação é parte da reação estratégica que está sendo montada pelo partido e pelo ministro, a pedido do Palácio do Planalto.

O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), também ocupou ontem a tribuna para defender Jucá, dizendo que ele está forte no cargo e empreendendo ações que podem solucionar o problema de déficit da Previdência. "Ele está brilhando como ministro da Previdência", disse Suassuna, para acrescentar que Jucá "brilhou" também no governo Fernando Henrique e, na atual administração, foi relator de matérias importantes como a MP da Cofins, da reforma tributária e do projeto do orçamento da União para 2005.

Incomodado com as denúncias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua confiança em Romero Jucá ontem, em reunião da qual participaram o núcleo político do Planalto e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Mas, Lula fez duas recomendações ao ministro: que produza uma "defesa incontestável" à Procuradoria-Geral da República e apresse a criação de fatos positivos na Previdência, capazes de virar o noticiário em favor do governo.

Depois de o Planalto advertir que estava aceso "o sinal amarelo", foi o PMDB que admitiu a preocupação com o caso. Em jantar reservado na noite de segunda-feira, a cúpula peemedebista ligada a Renan avaliou que o ministro abateu-se por uma série de golpes e que estava demorando demais a "sair das cordas".

O partido dispôs-se a defendê-lo, mas também quer que ele parta para a ofensiva, anunciando medidas de impacto na Previdência. Houve até quem avaliasse que ele errou ao lançar medidas no momento em que assumiu o cargo, porque agora precisa de tempo para detalhá-las e produzir fatos.

Renan Calheiros também frisou que o ministro já esteve com o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, oferecendo-se para dar todas as explicações necessárias e pedindo celeridade nas investigações da Polícia Federal. Colaborou: Cida Fontes