Título: Lamy é o candidato dos americanos na OMC
Autor: Paulo Sotero
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2005, Economia & Negócios, p. B7

Preferência foi anunciada ontem pelo vice-secretário de Estado O vice-secretário de Estado americano, Robert Zoellick, manifestou ontem a preferência inicial dos Estados Unidos pelo ex-comissário de Comércio da União Européia (UE), Pascal Lamy, na disputa pela direção-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC). "Nós consideramos que ele seria um muito bom candidato e deixamos claro que nos sentiríamos confortáveis com o comissário Lamy", disse Zoellick, depois de uma reunião com membros do Parlamento Europeu, em Bruxelas. Zoellick, que trabalhou de perto com Lamy como ministro do Comércio Exterior (USTR) no primeiro mandato de George W. Bush e se tornou seu amigo, ressalvou que o apoio americano não garante a eleição do superburocrata francês para o posto. Sua declaração não exclui a possibilidade de o governo americano vir a apoiar outro candidato no curso do processo de seleção.

A escolha do novo diretor-geral, no mês que vem, obedecerá a um processo de eliminação realizado em sucessivas rodadas de consultas reservadas aos países membros da organização. O candidato que sobreviver será eleito por unanimidade. O mandato do atual diretor-geral da OMC, o ex-vice-primeiro-ministro da Tailândia, Supachai Panitchpakdi, termina em agosto.

"Obviamente, eu considero o comissário Lamy um amigo e, mais importante, um consumado líder em assuntos de comércio", afirmou Zoellick. "Acreditamos que ele é um fortíssimo candidato para a posição." Além de Lamy, pleiteiam a direção da OMC o diplomata brasileiro Luiz Felipe de Seixas Correa, atual embaixador do País junto à organização; o negociador de comércio do Uruguai, Carlos Perez del Castillo, e o ministro das Relações Exteriores das Ilhas Mauricius, Jaya Cuttaree.

FAVORITOS

Fontes bem informadas, em Genebra, atribuem as maiores chances a Lamy, que entrou na briga com o apoio de 25 membros da UE, e a Perez del Castillo, que tem o respaldo da maioria dos países da América Latina, incluindo os sócios do Brasil no Mercosul.

A expectativa é que, se a candidatura de Seixas Correa não prosperar, o Brasil penda para Lamy. O Itamaraty faz sérias restrições ao papel que Perez del Castillo desempenhou, como presidente do conselho geral da OMC, durante a reunião ministerial da organização em Cancún, em setembro de 2003.

Zoellick negou relatos publicados pela imprensa européia nos últimos dias, segundo os quais o apoio dos EUA a Lamy teria sido dado em troca do respaldo europeu ao controvertido candidato americano à presidência do Banco Mundial, o ex-vice-secretário de Defesa Paul Wolfowitz, que foi eleito na semana passada. "Lamy é um candidato muito forte e não precisa que haja uma troca", afirmou o número 2 da diplomacia americana.