Título: Oposição exige saída síria para negociar governo
Autor: Reuters, AP, EFE e AFP
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/03/2005, Internacional, p. A17
Bancada no Parlamento quer que Assad defina a data com clareza BEIRUTE - Os oposicionistas libaneses, reunidos ontem na mansão do líder da minoria drusa, Walid Jumblatt, em Beirute, exigiram que o presidente da Síria, Bashar Assad, anuncie publicamente, e com clareza, a retirada das tropas e do serviço secreto sírio do Líbano. Eles pediram ainda a destituição dos chefes dos serviços secretos e das forças de segurança libaneses, por estarem vinculados à Síria. Na terça-feira, Assad disse à revista americana Time que a retirada terá início "dentro de meses", mas não quis indicar uma data, alegando que terá de tratar das questões práticas com o Exército.
Sem o cumprimento de suas exigências, a bancada oposicionista no Parlamento se recusa a participar das conversações para a nomeação do primeiro-ministro e a formação do novo gabinete. O atual chefe de governo, Omar Karami, renunciou na segunda-feira, sob pressão da oposição, apoiada por 25 mil manifestantes que pediam sua destituição e a saída das tropas sírias. A onda de protestos foi desencadeada pelo assassinato, no dia 14, do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, que se unira à campanha anti-Síria.
Karami permanece no posto, a pedido do presidente Emile Lahoud até a designação de seu sucessor. Em entrevista à rede de TV a cabo CNN, Jumblatt afirmou que a oposição pediu a renúncia de Lahoud e a formação de um governo neutro até as eleições parlamentares de maio.
Ainda ontem, o presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a insistir que a Síria deve retirar "completamente" suas tropas. "O mundo tem uma só voz quando se trata de assegurar que a democracia no Líbano e em todo o Oriente Médio tenha uma chance", disse Bush.