Título: São Paulo inclui o País no circuito das feiras de arte
Autor: Carlos Franco
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2005, Economia, p. B11

Evento a ser organizado no fim de abril tem como objetivo popularizar no Brasil esse mercado, que pode representar uma excelente alternativa de investimento O mercado de arte movimenta por ano no Brasil declarados US$ 100 milhões. A estimativa é que o estoque de obras em poder do público ultrapasse a US$ 2,5 bilhões. Os números não são precisos, mas ninguém dúvida de que esse é um rico e promissor mercado. Quem comprou, por exemplo, uma pequena tela do brasileiro nascido na Itália Alfredo Volpi (1896-1988), o das bandeirinhas, há dez anos por US$ 2 mil, hoje a vende com facilidade por US$ 20 mil. Um relevo do carioca Sergio Camargo (1930-1990), que podia ser adquirido em um leilão da Sotheby's em 2001 por cerca de US$ 50 mil, foi arrematado por US$ 210 mil no ano passado. Só que as portas desses investimentos parecem sempre fechadas para os simples mortais. É para quebrar essa sensação, que já sentiu na pele quando ainda ocupava a vice-presidência do banco americano J.P. Morgan, que a paulista Fernanda Feitosa decidiu, depois de participar de várias feiras de obras de arte no mundo, pôr São Paulo nesse circuito de negócios. De olho nos números que movimentam 25 feiras internacionais ao redor do mundo, onde se destaca a de Basel, na Suíça, em sua 35.ª edição, e também na recomendação de analistas de se investir de 6% a 8% do patrimônio em arte, Fernanda partiu para montar a SP Arte - Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea.

A feira paulista vai ocupar o pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, de 27 de abril a 1.º de maio e deve reunir cerca de 40 galerias das 60 mais importantes do País - das quais cerca de 20 respondem por 80% do volume de negócios.

Fernanda diz que espera atrair um público de, pelo menos, 10 mil pessoas. "É um movimento pequeno diante, por exemplo, da arteBA, de Buenos Aires, que está na sua 14.ª edição e chega atrair 100 galerias e 60 mil pessoas, mas é um começo." Fernanda, que já participou dessas feiras e é uma das mais importantes colecionadoras da arte do mineiro Farnese de Andrade (1920-1996), ao lado do livreiro Charles Cosac, diz que há uma correria nos primeiros dias pelas obras de arte de baixo preço.

A intenção da SP Arte é atrair também esse público da primeira compra, com obras que possam custar menos de R$ 5 mil, e também colecionadores, com a venda de obras exclusivas. "O importante é que a feira se torne um evento como o de Basel, que retorna também em investimento para a cidade." A executiva já fechou acordo de apoio com a operadora de celular Vivo. Mas busca novos patrocinadores para garantir um acesso maior do público à feira.

"Uma feira oferece um ambiente mais aberto, que permite a visitação e a comparação de preços, enquanto as galerias acabam inibindo o comprador iniciante, que não conhece ainda o valor real das obras e como investir para obter ganhos futuros". Fernanda está estudando também a possibilidade de abrir espaço na feira para consultores que possam informar o público sobre a compra das obras.

Depois, esse mesmo investidor poderá, quem sabe, engrossar ainda mais as vendas da Sotheby's, que negocia mais de US$ 1,5 bilhão por ano em leilões. Fernanda não esquece os tempos de banco e acaba indicando que a valorização das obras de artistas brasileiros, como Tarsila do Amaral, Portinari, Di Cavalcanti, Pancetti, José Antonio da Silva, Sergio Camargo, e mesmo de artistas contemporâneos, como José Rezende, Cildo Meireles e Adriana Varejão, superam com folga a evolução do câmbio e do ouro ao longo dos últimos dez anos.