Título: IBGE confirma freada na indústria
Autor: Jacqueline FaridNilson Brandão Júnior
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2005, Economia, p. B4

Produção industrial cresceu 6% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2004, mas caiu 0,5% comparada a dezembro RIO - A indústria brasileira começou o ano amparada na recuperação da massa salarial, que evitou uma desaceleração mais forte do setor. Liderada por um crescimento mais vigoroso dos bens de consumo semi e não-duráveis (alimentos, bebidas, calçados e confecções), que dependem da renda, a produção cresceu 6% em relação a janeiro de 2004, mas caiu 0,5% ante dezembro. A expansão comparada a igual mês do ano anterior foi a 17.ª consecutiva nessa base de comparação, mas confirmou a perda de ritmo em relação a dezembro, quando aumentou 8,3% ante igual mês de 2003. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda em relação a dezembro confirmou a acomodação do setor. Para o chefe da coordenação da indústria, Silvio Sales, os dados de janeiro revelam "um momento muito mais de acomodação do que de inflexão" da indústria.

O argumento é que o resultado de janeiro não ocorre em seqüência de taxas negativas (em dezembro houve aumento de 1,2% ante novembro), o que poderia significar mudança de trajetória. Ele destacou ainda que os dados de média móvel trimestral - considerados os principais sinais de tendência - indicam que o trimestre encerrado em janeiro esteve 0,1% acima do terminado em dezembro, "o que mostra estabilidade".

Sales destacou que a desaceleração do ritmo de crescimento do setor em 2005 era esperada, já que os resultados na comparação com o mês anterior são calculados sobre uma base bem mais elevada do que no ano passado.

A situação é mais preocupante na visão dos analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A instituição se mostra preocupada com "um processo de estagnação industrial que já dura cinco meses". Para o Iedi, a alta na taxa básica de juros (Selic) iniciada em setembro do ano passado está "na raiz do resultado adverso de janeiro".

Juan Jensen, da Tendências Consultoria, recebeu os dados com mais otimismo. Ele considerou bom o resultado porque os setores com melhor desempenho (semi e não-duráveis) ainda têm capacidade ociosa para aumentar a produção sem pressão inflacionária. "Os (setores) que estão a plena capacidade estão mostrando queda de produção. O resultado é bom em termos de política monetária."

De qualquer maneira, como efeito dos juros altos, a Tendências revisou para baixo o crescimento esperado para a produção da indústria neste ano, de 4,5% para 3,5%. Anteontem, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou revisão de 5,1% para 4,6% na produção física da indústria em 2005.