Título: Vale é a maior da América Latina
Autor: Denise Chrispim Marin
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2005, Economia, p. B15
Empresa contabiliza valor de mercado de US$ 39,9 bi na Bolsa de Nova York BRASÍLIA - A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) tornou-se a maior empresa privada da América Latina, ao contabilizar valor de mercado de US$ 39,9 bilhões na Bolsa de Valores de Nova York, no final de fevereiro. Com isso, ultrapassou gigantes como a America Movil, a YPF e a Telmex. A empresa firmou-se ainda como a terceira maior mineradora do mundo, atrás apenas da australiana BHP Billiton e da anglo-australiana Rio Tinto. "Estamos perto do segundo lugar", disse ontem o diretor financeiro da CVRD, Fábio Barbosa. Mas a Vale do Rio Doce ainda enfrentará, nas próximas semanas, a intrincada negociação com as siderúrgicas nacionais sobre a aplicação do reajuste de 71,5% no preço do minério de ferro, já acertado com os principais clientes internacionais da companhia e que deverá ser estendido aos clientes no Brasil.
A divulgação de informações da CVRD provocaram, ontem, aumento no valor das ações e fez reagir a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que abriu em queda. A CVRD respondeu por cerca de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e por US$ 5,2 bilhões em exportações do País, no ano passado, e contribuiu com US$ 13,5 bilhões para o saldo da balança comercial de 2001 a 2004. Os dados também provocaram expectativa em relação ao balanço da empresa, a ser divulgado dia 21.
A subida nos dois rankings, segundo Barbosa, é resultado da aplicação de um plano estratégico, com a eliminação de setores secundários (como celulose, por exemplo) e com investimentos diretos no exterior, em regiões como Ásia e África. Também tiveram peso a disparada da economia da China, que elevou os preços do ferro e do aço no mundo inteiro, e a captação de recursos no exterior a custos mais baixos do que outras empresas brasileiras.
De 2001 a 2004, a companhia investiu R$ 18,3 bilhões. Neste ano, o total deverá atingir o recorde de R$ 10,8 bilhões e responderá sozinho por cerca de 3% dos investimentos brasileiros em estruturas produtivas e na aquisição de máquinas e equipamentos.
Ainda em 2005, a CVRD espera alcançar o "grau de investimento" (investment grade) nas agências internacionais de classificação de risco, o que lhe permitirá captar recursos no exterior com custos financeiros ainda menores, aproximando-a de suas principais concorrentes.
Segundo Barbosa, a Vale pretendia captar US$ 1 bilhão no exterior este ano. Com o reajuste de 71,5% no preço do minério de ferro vendido ao exterior, a receita em dólares será maior e será menor a necessidade de buscar dólares no exterior.
Barbosa comentou que a decisão da equipe econômica de alterar regras da política cambial, na semana passada, estendendo o prazo de conversão de divisas estrangeiras obtidas em operações no exterior para reais de seis para sete meses foi uma "medida sensata e positiva", que indica a evolução das normas. Mas advertiu que o ideal seria adotar "um período mais elástico" ou mesmo abolir esse prazo, como meio de assegurar os pagamentos dos serviços da dívida externa - US$ 1 bilhão neste ano, no caso da Vale - pelas companhias que se expõem ao mercado externo. A proposta está em discussão entre o governo e a empresa.
De acordo com o diretor, a CVRD deverá aumentar a produção de minério de ferro em 20 milhões de toneladas neste ano, o que exigirá a aposta em seis novos projetos de exploração. A produção chegará a cerca de 230 milhões de toneladas. Mas a companhia deverá investir principalmente nas áreas de logística e estatística e nos projetos de exploração de outros minérios, já que quer diversificar a produção. Entre esses novos produtos está o níquel, cuja tonelada é cotada em US$ 16 mil enquanto igual volume de minério de ferro, com o aumento de 71,5%, alcança US$ 41.
A diversificação não significa que a empresa se converterá em siderúrgica, advertiu Barbosa. Empenhada na agregação do valor das exportações brasileiras, a empresa adota há alguns anos a estratégia de atrair parceiros estrangeiros interessados em produzir aço no País. Para convencê-los, a Vale entra como sócio minoritário e garante abastecimento de minério de ferro. Depois do êxito no caso da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), a CVRD, quer trazer ao Brasil a coreana Posco e a BV Steel.
BRASÍLIA - A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) tornou-se a maior empresa privada da América Latina, ao contabilizar valor de mercado de US$ 39,9 bilhões na Bolsa de Valores de Nova York, no final de fevereiro. Com isso, ultrapassou gigantes como a America Movil, a YPF e a Telmex. A empresa firmou-se ainda como a terceira maior mineradora do mundo, atrás apenas da australiana BHP Billiton e da anglo-australiana Rio Tinto. "Estamos perto do segundo lugar", disse ontem o diretor financeiro da CVRD, Fábio Barbosa. Mas a Vale do Rio Doce ainda enfrentará, nas próximas semanas, a intrincada negociação com as siderúrgicas nacionais sobre a aplicação do reajuste de 71,5% no preço do minério de ferro, já acertado com os principais clientes internacionais da companhia e que deverá ser estendido aos clientes no Brasil.
A divulgação de informações da CVRD provocaram, ontem, aumento no valor das ações e fez reagir a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que abriu em queda. A CVRD respondeu por cerca de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e por US$ 5,2 bilhões em exportações do País, no ano passado, e contribuiu com US$ 13,5 bilhões para o saldo da balança comercial de 2001 a 2004. Os dados também provocaram expectativa em relação ao balanço da empresa, a ser divulgado dia 21.
A subida nos dois rankings, segundo Barbosa, é resultado da aplicação de um plano estratégico, com a eliminação de setores secundários (como celulose, por exemplo) e com investimentos diretos no exterior, em regiões como Ásia e África. Também tiveram peso a disparada da economia da China, que elevou os preços do ferro e do aço no mundo inteiro, e a captação de recursos no exterior a custos mais baixos do que outras empresas brasileiras.
De 2001 a 2004, a companhia investiu R$ 18,3 bilhões. Neste ano, o total deverá atingir o recorde de R$ 10,8 bilhões e responderá sozinho por cerca de 3% dos investimentos brasileiros em estruturas produtivas e na aquisição de máquinas e equipamentos.
Ainda em 2005, a CVRD espera alcançar o "grau de investimento" (investment grade) nas agências internacionais de classificação de risco, o que lhe permitirá captar recursos no exterior com custos financeiros ainda menores, aproximando-a de suas principais concorrentes.
Segundo Barbosa, a Vale pretendia captar US$ 1 bilhão no exterior este ano. Com o reajuste de 71,5% no preço do minério de ferro vendido ao exterior, a receita em dólares será maior e será menor a necessidade de buscar dólares no exterior.
Barbosa comentou que a decisão da equipe econômica de alterar regras da política cambial, na semana passada, estendendo o prazo de conversão de divisas estrangeiras obtidas em operações no exterior para reais de seis para sete meses foi uma "medida sensata e positiva", que indica a evolução das normas. Mas advertiu que o ideal seria adotar "um período mais elástico" ou mesmo abolir esse prazo, como meio de assegurar os pagamentos dos serviços da dívida externa - US$ 1 bilhão neste ano, no caso da Vale - pelas companhias que se expõem ao mercado externo. A proposta está em discussão entre o governo e a empresa.
De acordo com o diretor, a CVRD deverá aumentar a produção de minério de ferro em 20 milhões de toneladas neste ano, o que exigirá a aposta em seis novos projetos de exploração. A produção chegará a cerca de 230 milhões de toneladas. Mas a companhia deverá investir principalmente nas áreas de logística e estatística e nos projetos de exploração de outros minérios, já que quer diversificar a produção. Entre esses novos produtos está o níquel, cuja tonelada é cotada em US$ 16 mil enquanto igual volume de minério de ferro, com o aumento de 71,5%, alcança US$ 41.
A diversificação não significa que a empresa se converterá em siderúrgica, advertiu Barbosa. Empenhada na agregação do valor das exportações brasileiras, a empresa adota há alguns anos a estratégia de atrair parceiros estrangeiros interessados em produzir aço no País. Para convencê-los, a Vale entra como sócio minoritário e garante abastecimento de minério de ferro. Depois do êxito no caso da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), a CVRD, quer trazer ao Brasil a coreana Posco e a BV Steel.