Título: Varig: Alencar descarta intervenção
Autor: Alberto Komatsu
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/03/2005, Economia, p. B8
Ministro da Defesa mudou de idéia e se alinhou com o governo, defendendo agora uma 'solução de mercado' para a companhia RIO - Menos de 12 horas depois de ter admitido a possibilidade de o governo intervir na Varig, o ministro da Defesa e vice-presidente da República, José Alencar, voltou atrás e descartou ontem essa alternativa para salvar a companhia. "A intervenção tem de ter uma cobertura jurídica e razões. O Estado não deseja fazer nenhuma intervenção, deseja uma solução de mercado baseada em entendimentos negociais", justificou. O discurso de Alencar se alinhou com o do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do diretor-geral do Departamento de Aviação Civil, major-brigadeiro Jorge Godinho, que nesta semana defenderam a solução de mercado para a Varig. Ou seja, mostram que o governo prefere que a empresa, com dívida de R$ 9,4 bilhões, busque investidores interessados em ressuscitar seu fôlego financeiro.
"Não estamos nos sentindo abandonados. Temos feito tudo de acordo com o combinado com o ministro (Alencar)", disse um executivo da Varig que pediu para não ser identificado. Para parlamentares em busca de salvação para a Varig, a única saída é a intervenção. Eles defenderam o mecanismo quinta-feira, após a direção da aérea não ter comparecido a uma audiência pública no Congresso para discutir a crise.
Ontem, o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) protocolou uma "Proposta de Fiscalização e Controle" na Câmara dos Deputados. A proposta, que precisa ser aprovada pela Comissão de Indústria e Comércio, prevê a "intimação dos senhores (sic) Luiz Martins e toda a Diretoria da Varig e da Fundação Rubem Berta para a apuração da caótica administração dos recursos da empresa e de suas dívidas com o Governo Federal." Para o deputado, a proposta é um primeiro passo para a intervenção.
"Não vejo alternativa se não o afastamento dessa direção", disse a deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS), do Grupo Parlamentar em Defesa da Varig. A Varig atacou a proposta de intervenção em um comunicado: "Em vez de reivindicar uma ação radical e totalitária dessa natureza, os chamados 'defensores da Varig' deveriam demonstrar concretamente seu interesse numa solução justa."
"Estamos fazendo tudo para que ela (Varig) se recupere. Como? Há determinadas empresas que são candidatas a adquirir o controle da Varig. O governo não faz negócio, pode abençoar um bom negócio que seja de interesse nacional", diz Alencar, que admitiu ontem a possibilidade de sair da Defesa com a reforma ministerial. (Mais informações na página A4)
Alencar referia-se ao grupo português Pestana que, por meio de sua empresa de vôos fretados Euroatlantic, negocia a compra de 20% das ações da Varig. O interesse do grupo foi confirmado ao Estado em dezembro pelo presidente da empresa, Tomaz Metello. Na época, ele disse que o plano estava nas mãos do BNDES e que aguarda uma posição do governo.
Há mais dois investidores negociando participação na Varig em troca de injeção de dinheiro, diz a fonte. Mas a aérea teria de obter, disse ele, US$ 500 milhões para investir, nos próximos três anos, em novas aeronaves e expansão.