Título: Dólar se aproxima dos R$ 2,50
Autor: Silvana Rocha, Mario Rocha e Lucinda Pinto
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/04/2005, Economia, p. B12
Moeda americana fechou em R$ 2,536, e o Banco Central não interveio; a Bovespa caiu 0,53% O dólar voltou a cair, desta vez 0,43%, para R$ 2,563, a menor cotação desde 3 de junho de 2002 ( R$ 2,536), sem que o Banco Central demonstrasse a intenção de reiniciar as compras de moeda americana. O paralelo subiu 0,36%, vendido a R$ 2,82, enquanto o Ibovespa recuou 0,53%. O risco país caiu 0,91%, para 434 pontos, e o C-Bond perdeu 0,59%, vendido com ágio de 0,438%. Como o BC não interveio, o próprio mercado absorveu o fluxo positivo, num movimento de redução parcial de posições "vendidas". O preço baixo da moeda americana atraiu compradores porque, em tese, teria aumentado a possibilidade de o BC voltar a atuar no câmbio. Mas, ao contrário dos empresários e exportadores, a autoridade monetária não parece incomodada com o nível atual.
A expectativa dos investidores expressa pelos contratos futuros aponta para a manutenção da queda. Na BM&F, os oito vencimentos negociados projetaram cotações mais baixas.
A Bolsa paulista oscilou ao sabor do comportamento do mercado em Nova York e do vencimento do Ibovespa futuro. O volume financeiro somou R$ 3,524 bilhões, sendo que R$ 2,758 bilhões foram movimentados no mercado à vista.
A alta dos juros pagos pelos títulos do Tesouro americano acabou influenciando Wall Street. O Índice Dow Jones caiu 0,99% e a Nasdaq, 1,55%. "Os juros lá fora e as quedas em Nova York acabaram empurrando a Bolsa por aqui. Os 'vendidos' em índice aproveitaram para derrubar a Bovespa", comentou um operador.
As maiores altas do Ibovespa foram de Telemar PNA (4,79%), Ipiranga Petróleo PN (4,65%) e Telemig Par PN (4,27%). As maiores quedas foram de Vale ON (4,72%), Bradespar PN (4,48%) e Vale PNA (3,61%).
O mercado de juros pareceu ter retomado a esperança de que a taxa Selic, finalmente, pare de subir. Não se trata de uma aposta firme, mas as taxas futuras engataram o movimento de queda. E, segundo operadores, a tendência é que a corrente dos que apostam na estabilidade do juro básico cresça.
A ata da última reunião do Federal Reserve, na terça-feira, é o principal fator positivo, já que o mercado entendeu que não haverá uma alta brusca no juro básico americano. E, para ajudar, o petróleo futuro caiu com força. O barril negociado em Nova York fechou ontem no menor nível das últimas 7 semanas, cotado a US$ 50,22.