Título: Maia desconversa e trata como vitória intervenção em hospitais
Autor: Wilson Tosta e Felipe Werneck
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/03/2005, Nacional, p. A7

Prefeito do Rio se esforça para despolitizar perda de gestão plena na Saúde e garante que relação com Lula fica até melhor RIO - "Uma candidatura é uma eventualidade. Prefeito é uma certeza." Com frases como essas, o prefeito do Rio, Cesar Maia, pré-candidato do PFL à Presidência, esforçou-se ontem para despolitizar a intervenção federal em seis hospitais do Rio e apresentar-se como vitorioso no episódio, no qual perdeu o controle de R$ 780 milhões anuais em recursos da saúde. "Acho que o presidente Lula acertou na mosca", disse, elogiando até a inclusão na intervenção do Hospital Souza Aguiar e do Miguel Couto, da prefeitura, medida da qual discordara anteontem. Ele negou que com o bate-boca em torno dos hospitais estaria agindo como candidato. "E eu vou entrar nesse assunto para me desgastar?"

A intervenção encerra uma pendenga que se agravou nos últimos dias, com cenas de pacientes sem assistência e até insultos - Maia até chamou de mentiroso o ministro da Saúde, Humberto Costa. "É um político experimentado, um gestor experimentado", afirmou ele ontem, referindo-se a Costa e dizendo não acreditar que o ataque tenha agravado a crise. "Não vai ser em função de troca de adjetivos que ficará zangado. Afinal, ele é candidato a governador de Pernambuco, não acredito que uma adjetivação possa produzir, num político experimentado, qualquer sensibilização."

Maia garantiu que sua relação com Lula "melhorou" com a intervenção e desejou-lhe sucesso. Segundo o prefeito, a devolução à União dos 4 hospitais municipalizados era sua reivindicação havia dois anos. Ele disse que a municipalização fora feita de forma açodada. "Colocaram em cima de um sistema que funcionava esplendidamente bem unidades completamente destroçadas, o que produziu uma contaminação, afetando o nosso sistema."

ESTRANHAMENTO

O vice-governador e ex-prefeito Luiz Paulo Conde (PMDB) disse estranhar a crise nos hospitais. "Em 99, consegui a gestão plena do SUS. Foram municipalizados Andaraí, Lagoa e Ipanema em janeiro de 99. E funcionaram muito bem até o fim do governo, em 2000."

A governadora Rosinha Garotinho (PMDB) afirmou que a crise na saúde pública fluminense é um problema entre o governo federal e a prefeitura, mas disse que vai contribuir para normalizar a situação.