Título: Auditores acham remédios vencidos
Autor: Karine Rodrigues, Alexandre Rodrigues
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/03/2005, Nacional, p. A6
As centenas de caixas estavam no Hospital Cardoso Fontes RIO - Auditores do Ministério da Saúde encontraram centenas de caixas de medicamentos com prazo de validade vencido num dos almoxarifados do Hospital Municipal Cardoso Fontes, um dos seis sob intervenção federal. O material inclui lente intra-ocular para operação de catarata, o remédio Aciclovir, contra a aids, solução para diálise, antibióticos e estreptoquinase, para pacientes enfartados. "É uma situação calamitosa. Não esperava encontrar o almoxarifado dessa forma. Isso mostra que não houve programação de compra nem fiscalização de estoque", disse a interventora Ana Lipke. Segundo ela, é praxe a troca de medicamentos que estão por vencer entre hospitais e isso não ocorreu.
Os remédios vencidos estavam armazenados com outros na validade. E o almoxarifado apresentava más condições: sem climatização, os estrados nos quais ficam as caixas de remédios tinham sinais de mofo, havia teias de aranha nas paredes. "Certamente essa situação vai para o relatório dos auditores. E nada disso ficará impune", disse Ana. A diretora do hospital, Maria Lúcia Newlands, não quis dar entrevista.
Ana também recebeu o relatório preliminar dos gastos de 2004 e disse que o hospital teve de usar R$ 432 mil do suprimento de fundos. "Essa é uma verba extra, para emergências. Mas teve de ser gasta porque a prefeitura deixou faltar tudo. Foram R$ 58.487 com alimentação e R$ 236.924 com manutenção. É um absurdo. Esse dinheiro foi gasto em desespero de causa."
Os profissionais do hospital se surpreenderam com o novo decreto de exoneração da prefeitura. Eles se reuniram em assembléia no pátio. "A gente fica pasmo com a situação. A sensação que temos é de estarmos no meio de um tsunami", disse o presidente do corpo clínico, o gastroenterologista José Geraldo Menezes.
PACIENTES
Já os pacientes elogiavam o hospital. A dona de casa Maria Iracilda Abreu conseguiu atendimento para o filho Francisco, de 3 anos. "Vim para cá e me surpreendi. Não esperei muito na fila e o médico pediu exame para agora, aqui mesmo. Nem precisei procurar outro hospital ou voltar outro dia."
No Hospital do Andaraí, ao contrário, os pacientes se queixavam. Durante a visita do ministro Humberto Costa, a dona de casa Claudete Monteiro esperava leito para a tia de 78 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral domingo. "Cheguei com o exame e o laudo do médico que pede internação no CTI, mas ela passou a noite numa cadeira, esperando vaga", contou. "Hoje de manhã, quando a imprensa e o ministro chegaram, colocaram minha tia na sala de repouso."
A dona de casa Arlete Cezário até acha que houve melhora no Andaraí, mas também se queixou. Ela não conseguiu refazer o curativo no olho direito por falta de médicos. "Ainda falta muito para fazer. Hospital bom é aquele que a gente chega e tem médico todo dia, nem que a gente fique esperando um pouquinho."