Título: Tecnologia aumenta demanda por álcool
Autor: Cleide Silva
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/03/2005, Economia, p. B14

Os carros bicombustíveis devem aumentar a demanda por álcool em 800 milhões de litros este ano, segundo cálculos da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). Atualmente, rodam pelo País 434,2 mil veículos que podem ser abastecidos com álcool, gasolina ou a mistura de ambos. Pela vantagem do preço, a maioria dos consumidores usa o derivado da cana-de-açúcar. Somada às 50 mil unidades de carros só a álcool vendidos no ano passado e a frota antiga movida com esse combustível, o País consumiu 12,7 bilhões de litros de álcool em 2004, incluindo a mistura de 25% na gasolina. O diretor técnico da Unica, Antonio Pádua Rodrigues, reconhece que a tecnologia bicombustível é a salvação do Proálcool, programa que estaria com os dias contados.

Enquanto o preço do álcool custar até 70% do valor da gasolina, é vantajoso abastecer com o combustível da cana. O consumidor tem aproveitado essa vantagem e a maioria prefere o álcool, diz Paulo Kakinoff, diretor de Vendas e Marketing da Volkswagen.

"Em São Paulo, por exemplo, o gasto por quilômetro rodado é 15% a 20% mais barato em relação à gasolina", afirma Kakinoff. De acordo com pesquisa feita pela Unica, o litro da gasolina em São Paulo custa R$ 2,20 em média. O do álcool, R$ 1,20. Mesmo que o tanque precise ser abastecido mais vezes, "a relação de 55% do preço da gasolina é bastante competitiva", diz Rodrigues.

De todo o álcool vendido no País, 90% têm preços na faixa de vantagem, informa Rodrigues. Mesmo em regiões onde a diferença é maior, como Acre e Manaus, muitos proprietários abastecem com álcool, pois o carro fica mais potente, informa Kakinoff.

Com a decisão das montadoras de direcionar toda a produção para modelos bicombustíveis, prevista para ocorrer em dois anos, a Unica calcula que até 2010 haverá um aumento no consumo de 7 bilhões de litros de álcool ao ano. "O setor pretende manter a diferença de preços pois, se passar do nível de 70%, o consumidor usará gasolina", diz Rodrigues.