Título: Furlan: Selic pode cair no 2.º semestre
Autor: João Caminoto
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/03/2005, Economia, p. B3
Para ministro, taxa básica de juro está quase no patamar que vai permitir a convergência para as metas de inflação LONDRES - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, evitou criticar mais uma alta de juros, mas afirmou que, no segundo semestre, a Selic pode iniciar uma trajetória de queda. Segundo o ministro, a economia brasileira está em "velocidade de cruzeiro" e pode crescer cerca de 5% do PIB neste ano. "Imagino que estamos chegando a um patamar de juros que vai possibilitar a convergência para a meta de inflação", disse Furlan ontem, após um concorrido seminário sobre oportunidades no setor de energia limpa no Brasil, na embaixada brasileira em Londres, do qual participaram cerca de 100 pessoas. "A partir daí, podemos pensar - e o ministro Palocci tem dito isso muito concretamente - que, no segundo semestre, ocorra uma inversão do vetor na taxa de juros." Para Furlan, o BC está cumprindo a tarefa de buscar as metas inflacionárias. "Por outro lado, nós, que temos escrito na testa desenvolvimento, indústria e comércio exterior, temos que buscar esses objetivos e para isso não podemos ficar lamentando que o outro colega está fazendo o trabalho dele." Segundo Furlan, não há atritos entre o objetivo do BC e o de seu ministério. "Não são conflitantes; podem criar algumas dificuldades no caminho, mas não são insuperáveis."
Ele indicou que o País pode ter neste ano o mesmo desempenho de 2004. "Chegamos a 5% no ano passado e, se mantivermos os 5%, está muito bom. Neste período de transição, precisamos de investimentos em infra-estrutura, em logística, para assegurar que o crescimento seja assegurado."
Furlan reafirmou a sua previsão de continuidade no crescimento das exportações, apesar da valorização do real e da quebra da safra no Sul do País. Ele disse que o câmbio atual é um fator limitador para vários setores. "Por outro lado, estamos vendo uma melhora de patamar do câmbio, embora tênue. Aquela ameaça de que o câmbio chegaria a R$2,50, da qual andamos muito próximos, parece que foi afastada e há uma perspectiva que tenhamos uma taxa de câmbio mais consistente para os exportadores ao longo do ano"
De acordo com Furlan, no setor agrícola, "existe danos gravíssimos no Sul do Brasil por causa da seca", mas a situação é diferente no Centro-Oeste. "Há dois efeitos que se contrapõem: o primeiro é que se reduz a produção, com uma quebra de 50% até 70 % no Sul, e o segundo é que a redução da oferta aumenta os preços." Ele observou que o preço da soja subiu cerca de 25% nos últimos 30 dias. "Isso compensa parcialmente a quebra da safra na produção do Sul e no Centro-Oeste é adicional de receita."
Furlan disse que o governo deve apresentar ao Congresso proposta na legislação cambial que permita que as empresas exportadoras possam compensar seus créditos e débitos no exterior. Segundo ele, a proposta integrará um conjunto de mudanças na regra do câmbio. "Há um pleito das empresas para que seja feita uma compensação, de forma transparente, como hoje é feita na moeda local. Isso não é dar convertibilidade ao real, mas oferecer condições que empresas exportadoras possam minimizar os seus custos."