Título: Indústria amplia emprego e renda
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/03/2005, Economia, p. B5

Crescimento de vagas em janeiro foi de 0,4%, após dois meses de queda; folha de pagamento aumentou 6,2% RIO - A indústria brasileira começou o ano aumentando o número de vagas. O emprego cresceu 0,4% em janeiro ante dezembro, um resultado positivo após dois meses de queda. Além disso, o rendimento dos trabalhadores industriais começa a refletir com mais vigor a reação do setor nos últimos meses. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou aumento de 6,2% na folha de pagamento real (soma dos salários e benefícios pagos) em janeiro ante dezembro, a maior expansão nessa base de comparação desde janeiro de 2004. Apesar dos resultados positivos, o economista André Macedo, do IBGE, aponta "estabilidade e acomodação" no mercado de trabalho do setor. Segundo ele, o índice de média móvel trimestral - o principal indicador de tendência - apontou queda de 0,1% na ocupação no trimestre encerrado em janeiro em relação ao terminado em dezembro. Isso mostra que o emprego reflete também a estabilidade da produção industrial nos últimos meses, diz Macedo.

O economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que, apesar do "ritmo lento" do crescimento do emprego, cuja base de comparação é alta, o aumento das contratações mostra confiança dos empresários. "Só há contratação quando há confiança a longo prazo."

Para Macedo, a acomodação não impediu que o mercado de trabalho industrial tenha começado o ano com resultados e tendências positivas, especialmente no que diz respeito à massa de salários. Além do crescimento ante dezembro, a renda aumentou também em janeiro ante igual mês do ano passado (5%) e no acumulado dos últimos 12 meses (8,8%).

O economista do IBGE avalia que o aumento dos salários na indústria reflete os crescimentos na produção, ao longo de todo o ano passado, apresentados pelos setores líderes do vigor industrial de 2004, que são os bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos) e bens de capital. Segundo Macedo, esses setores pagam melhores salários, e isso já se reflete nos indicadores da folha de pagamento.

A massa salarial da indústria cresce há 15 meses consecutivos na comparação com igual mês de ano anterior, o que, para o economista, reflete o aumento do emprego e a queda da inflação. Apesar do bom desempenho, Macedo destacou que a magnitude do crescimento de janeiro ante dezembro (6,2%) embute um efeito estatístico, já que dezembro teve menos dias úteis do que janeiro e o ajuste sazonal (que elimina as características específicas de determinado período) não consegue eliminar esse fenômeno. Ele citou também, como motivo para o aumento elevado, a queda da inflação de um mês para o outro e o pagamento de benefícios em janeiro.

OCUPAÇÃO

Macedo avalia também que, que apesar da acomodação do emprego, revelada pelos dados de média móvel e da variação ante mês anterior, os dados comparativos ao ano passado (aumento de 3,2% em janeiro, completando uma seqüência de 11 taxas positivas ante igual mês de ano anterior) e do acumulado em 12 meses (2,2%) mostram que o emprego industrial está hoje "muito melhor" do que no início de 2004.

Para ele, a estabilidade na ocupação indica que os empresários preferem não mexer no quadro de funcionários se não há um "horizonte definido" em relação ao desempenho da atividade.