Título: CMN aprova ajuda para agricultores
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/03/2005, Economia, p. B7
Ministro Rodrigues diz que colheita de grãos pode recuar em 14 milhões de toneladas BRASÍLIA - Os produtores agrícolas poderão ter um prejuízo de até RS 7 bilhões com a quebra da safra deste ano em conseqüência da seca que atingiu o Sul do País. A estimativa foi feita ontem pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em audiência pública no Senado. Ele lembrou que estimativas não oficiais indicam que a colheita de grãos atingirá este ano apenas 118 milhões de toneladas, um recuo de 14 milhões de toneladas ante a previsão inicial de 132 milhões feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo o ministro, cada milhão de toneladas a menos na produção agrícola significa prejuízo de R$ 500 milhões para o produtor rural. "A perda econômica será de R$ 7 bilhões se for considerada a quebra de produção de 14 milhões de toneladas", disse em depoimento na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.
Segundo ele, a agricultura vive hoje "o pior mundo possível". Além da seca, observou, os principais fatores que prejudicam a atividade agrícola neste ano são a elevação dos custos de produção e a desvalorização do dólar, que inibe as exportações.
Rodrigues avaliou que a seca é grave no Sul , mas disse que regiões de Mato Grosso e do Nordeste também sofrem com a estiagem. "As informações são que o Nordeste terá uma seca fora do comum", observou.
MAIS DINHEIRO
Rodrigues pediu aos senadores apoio para conseguir, com a equipe econômica do governo, liberação adicional de R$ 1 bilhão para que o ministério apóie a comercialização da safra.
"O que tínhamos já foi gasto para apoiar a comercialização de trigo, arroz e algodão", afirmou. "Sem isso não conseguiremos atender à demanda, que será grande neste ano. Não temos como apoiar a comercialização".
Ele informou que orçamento para a política de apoio à comercialização foi de R$ 500 milhões em 2005 e que o pedido era R$ 2 bilhões.
Apesar das previsões pessimistas, o ministro ponderou que a crise não é generalizada. Alguns setores como o café, o suco de laranja e o açúcar e álcool terão um ano favorável.
"As exportações vão cair, mas a queda não será grande porque os embarques destes produtos evitarão uma redução geral expressiva. A situação cambial, no entanto, vai estimular as importações, o que reduzirá o saldo comercial".