Título: Criação de vagas perde fôlego
Autor: Isabel Sobral
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/03/2005, Economia, p. B1
BRASÍLIA-Foram criados 73.285 novos postos de trabalho em fevereiro, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Embora positivo, o número representa queda de 36,8% ante janeiro, quando foram criados 115.972 empregos. Na comparação com fevereiro de 2004, a queda é de 47,3%. Pela série histórica do Caged, foi o pior fevereiro desde 2001. A provável causa para a queda, na avaliação do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, é a valorização do real ante o dólar, que estaria levando setores exportadores a fechar vagas. Mais especificamente, estariam sendo afetados os fabricantes de móveis e de calçados. Os dois setores registraram mais demissões do que contratações em fevereiro. Também houve queda no saldo entre admissões e demissões na indústria de alimentos (-14.682) e agricultura (-1.420). Nesses casos, o ministro diz que houve impacto do fim da colheita de cana-de-açúcar em Alagoas, Pernambuco e Paraíba, e da longa estiagem no Rio Grande do Sul.
Apesar de reconhecer que os números de fevereiro foram piores que o esperado, Berzoini acredita que é cedo para falar em tendências. "Todos os dados merecem um olhar atento do governo, mas temos que esperar março e abril para uma análise mais precisa." Segundo ele, também explicaria a piora dos dados de fevereiro ante 2004 o fato de o carnaval ter ocorrido no início do mês. "Quando o carnaval é muito próximo de janeiro e das festas de fim de ano, os empresários costumam adiar as decisões de contratações definitivas."
A oferta de emprego com carteira assinada nos setores de serviços, administração pública e comércio continuou em alta. Os Estados nordestinos tiveram menor fôlego na criação de novas vagas, o que seria explicado pelo fim da colheita de cana-de-açúcar em algumas áreas. Em São Paulo, foram criados no mês passado 52 mil novos empregos, ante pouco mais de 54 mil em janeiro.
Berzoini minimizou o resultado da pesquisa da Fundação Seade/Dieese, atribuindo a fatores sazonais o aumento na taxa de desemprego para 17,1% em 39 municípios da região metropolitana de São Paulo em fevereiro. "Há uma sazonalidade histórica nas pesquisas do Dieese, que sempre mostram curva ascendente no início do ano. Não há agravamento da situação", afirmou.