Título: Superávit já acumula US$ 7 bi
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/03/2005, Economia, p. B6

Estimativa de saldo para este ano é elevada para US$ 27 bilhões BRASÍLIA-A balança comercial da terceira semana de março teve superávit de US$ 683 milhões, elevando para US$ 2,121 bilhões o saldo do mês e para US$ 7,091 bilhões o do ano. Os dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam expansão nas duas mãos do comércio e forte influência da variação dos preços das principais commodities embarcadas pelo País. O otimismo do governo sobre o desempenho da balança comercial em 2005 foi reforçado ontem pela revisão da estimativa de saldo para o ano. O Banco Central (BC) engrossou em mais US$ 2 bilhões o superávit calculado, agora em US$ 27 bilhões.

Nas três semanas de março, as exportações somaram US$ 5,815 bilhões, com média diária de US$ 415,3 milhões, um aumento de 20,5% ante março de 2004. As importações chegaram a US$ 3,694 bilhões, com US$ 263,9 milhões de média diária. Nesse caso, a elevação foi de 13,6%, segundo a Secex.

Só na terceira semana, os embarques somaram US$ 2,042 bilhões, graças às vendas de materiais de transportes, soja, produtos elétricos e eletrônicos e fumo. As importações atingiram US$ 1,360 bilhão, com destaque para combustíveis e lubrificantes, automóveis, autopeças e componentes, cereais e cobre.

De acordo com José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), a valorização do real ante o dólar ainda não se refletiu nas vendas ao exterior. A influência poderá ser percebida, de forma discreta, no início de maio porque o câmbio afeta sensivelmente setores pulverizados na balança, como os calçados e confecções e os que seguem contratos de longo prazo.

Na outra mão, as importações deverão crescer, especialmente as de matérias-primas e de bens intermediários, fato que não trará desequilíbrios graves na estrutura produtiva nacional. As alterações nos preços das commodities, entretanto, são imediatas e visíveis, segundo Castro.

Nas três semanas, as exportações foram "salvas" pelos embarques de produtos industrializados. As vendas de semimanufaturas cresceram 44,7% em relação a março de 2004. As de manufaturas aumentaram 25,9%.