Título: Furlan prevê mais exportação este ano
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/03/2005, Economia, p. B6
Até julho, projeção do governo deve crescer de US$ 108 bi para perto de US$ 112 bi, diz ministro RIO-O ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior deverá rever a projeção de exportações brasileiras para este ano, hoje em US$ 108 bilhões, provavelmente para perto de US$ 112 bilhões. O valor representaria crescimento de 16% na comparação com 2004, taxa superior aos 12% estimados anteriormente. Além disso, a quantidade de cargas movimentada nos portos brasileiros também vai crescer 20% além do estimado entre 2004 e 2007, o que aumenta as necessidades de investimentos em infra-estrutura, indicou o ministro Luiz Fernando Furlan. Ele informou que a meta atual deverá ser mesmo revista até a metade do ano e, conforme o desempenho, poderá ficar entre US$ 111 bilhões e US$ 112 bilhões. Para 2006, o valor inicialmente projetado é de US$ 120 bilhões, disse Furlan, num encontro com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) no Rio. "E o presidente Lula já nos incentivou a projetar os US$ 150 bilhões, não sabemos ainda quando, porque dependemos dos resultados de vocês."
O ministro destacou, contudo, que os gargalos em infra-estrutura e logística são o que mais preocupa o governo. "Carecemos desesperadamente de investimentos em infra-estrutura." A projeção inicial era de que os portos transportariam 215 milhões de toneladas de mercadorias (entre exportações e importações) a mais em 4 anos, até 2007, estimativa que deverá ser superada em pelo menos 43 milhões de toneladas.
O assunto foi debatido pelo ministro ontem com integrantes do BNDES. Ele citou que "há sinalizações positivas" e que o banco vem tentando colaborar para que o setor de ferrovias se desenvolva, até com participações acionárias, por meio do BNDESpar. Um exemplo é a Ferronorte, da empresa Brasil Ferrovias. "Ela está analisando uma participação no sentido de agilizar os investimentos." Furlan citou as perspectivas de reativação de uma unidade paulista de vagões da GE.
"O banco tem divulgado vários estudos sobre criação de fundos que promovam os investimentos em infra-estrutura, que se reaproxime do mercado de capitais, que se use uma parte da carteira do BNDESpar (com valor de mercado de cerca de R$ 40 bilhões) para que se apliquem esses recursos em projetos novos, que possam gerar novos empregos."
Furlan confirmou que a criação de um fundo de investimentos em infra-estrutura é uma das alternativas em estudo para "essa remoção dos gargalos e agilização dos investimentos".
Ao fim do evento, Furlan, que acumulou divergências com o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, citou o banco, num comentário que tirou risos na platéia. Após dizer que estava com sua equipe na apresentação (um dos diretores do banco estava lá), completou: "Digo minha equipe, o BNDES, agora posso dizer, com o Guido Mantega, todos os diretores lá, temos uma política industrial de governo, com convergência de todos os fatores."