Título: Crise faz Serra recorrer a senadores
Autor: Silvia Amorim
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/04/2005, Metrópole, p. C1

Tuma, Mercadante e Suplicy prometeram conversar com bancadas de seus partidos na Câmara para melhorar diálogo com Executivo O prefeito José Serra (PSDB) reuniu-se ontem com os três senadores paulistas, Aloizio Mercadante (PT), Eduardo Suplicy (PT) e Romeu Tuma (PFL), em mais uma tentativa para acalmar os ânimos entre petistas e tucanos e iniciar de vez os trabalhos deste ano na Câmara. Os senadores saíram do almoço, realizado na sede da Prefeitura a pedido de Serra, prometendo colaborar e servir de intermediários nas bancadas de seus partidos na Câmara para "melhorar o diálogo" com a Prefeitura. Mas Mercadante cobrou mudanças de atitude da gestão Serra. "O fundamental agora é olhar para frente, não ficar olhando só para o retrovisor", cutucou o petista. "Nós encontramos também uma situação federal do ponto de vista fiscal e financeiro muito delicada e fizemos uma política de transição pactuada muito exitosa. Não nos concentramos em desconstituir o que tinha sido feito anteriormente." Mercadante também criticou as acusações feitas por Serra de que a bancada do PT na Câmara é fisiológica e está a serviço das grandes empreiteiras. "Isso não ajuda."

Por falta de acordo entre a base governista e vereadores do PT e do chamado Centrão, a Câmara não votou nenhum projeto este ano. Mais de 80 propostas aguardam na fila para ser apreciadas. A mais importante é a da reforma da Previdência do Município, enviada pelo Executivo.

Segundo Tuma, o temor de Serra é de que a Câmara se paute desde já pelas eleições de 2006. "Essa é uma preocupação do prefeito, que não é candidato, segundo nos informou, e acha que a Câmara não tem que buscar um eixo na sucessão governamental, e sim discutir o que interessa à população."

Mercadante negou que esteja em negociação um acordo de cessar fogo. "A disputa política é própria do Parlamento, das eleições. Ela vai sempre acontecer, mas eu acho que precisamos de diálogo."

As negociações na Câmara entre governistas e oposição já começaram e um acordo para destravar a pauta está sendo alinhavado. A Prefeitura se comprometeria a permitir a votação de projetos de iniciativa dos vereadores. Em contrapartida seriam votados também projetos do Executivo. "Vamos ter um diálogo com os vereadores de nossa bancada visando o estabelecimento de um diálogo construtivo em defesa da cidade", disse Suplicy.

FINANÇAS

No encontro, do qual participou também o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira, Serra apresentou aos senadores a proposta que levou ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no início do mês para amenizar a crise financeira da Prefeitura. Os principais pontos em discussão são a dívida de R$ 30 bilhões com a União e a liberação de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para o Fura-Fila e outros projetos na área de transportes. "Nós nos comprometemos a estudar as alternativas propostas pelo prefeito. Verificar tecnicamente a viabilidade delas para dar uma resposta", afirmou Mercadante.

O petista, no entanto, adiantou que é contra qualquer alteração na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e em contratos como o de renegociação da dívida pública. "Posso afirmar que a LRF deve ser preservada em sua integralidade. É uma conquista do País e não pode ser alterada. Também vejo com muita dificuldade alterar contratos que foram objetos de aprovações legais, mas vamos analisar todas as alternativas."

Sobre a renegociação com o BNDES, o senador disse há grandes chances de o pedido aceito. Serra não deu entrevistas após a reunião.