Título: Lula também quer vice do PMDB em São Paulo
Autor: Vera Rosa, Christiane Samarco
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/04/2005, Nacional, p. A6

BRASÍLIA-No pacote para fechar uma coalizão nacional com o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula petista devem oferecer ao partido a vaga de vice do candidato do PT ao governo paulista. Sem esconder que deseja uma dobradinha com o PMDB para garantir a sua própria reeleição, em 2006, Lula incumbiu o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente do PT, José Genoino, da dupla sondagem. O problema é que em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, o PT tem três postulantes à cadeira do governador Geraldo Alckmin: o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e a ex-prefeita Marta Suplicy.

A direção do PT não quer prévia para a escolha do candidato. A seção paulista do partido vai até mesmo patrocinar uma série de pesquisas e avaliação de mídia para ver quem é mais conhecido e tem melhor imagem. A cúpula petista e o governo estão preocupados com a disputa fratricida entre Mercadante, João Paulo e Marta.

No Palácio do Planalto, um comentário é freqüente: se as estocadas entre os três continuarem - principalmente entre João Paulo e Mercadante -, o atingido será o governo Lula.

Durante almoço com Mercadante, há mais de um mês, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ouviu a proposta de indicar o vice do PT, caso o senador seja confirmado candidato. O senador tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a tentativa do Planalto de resolver o casamento nacional com o PMDB por meio de acordos regionais tem irritado alguns pré-candidatos petistas. Até porque, se depender de Lula, o PT não deve concorrer com chapa própria onde não tiver nome forte ou onde os peemedebistas PMDB, hoje o aliado preferencial, quiser

. Ou, mesmo que tenha, onde a candidatura for vetada pelo PMDB. A prioridade do partido é assegurar a reeleição do presidente e das bancadas de deputados.

"O PMDB é sempre um bom parceiro e tem todas as credenciais para ser vice, mas, no caso de São Paulo, primeiro precisamos debater com os nossos outros aliados e ver quem é o melhor candidato", afirmou João Paulo. "Também não dá para o PT não ter candidato no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina, como estão dizendo. Isso não existe."

No Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, o PT e o PMDB têm contenciosos considerados intransponíveis. Até agora, porém, as cúpulas dos dois partidos acham possível a aliança em São Paulo, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Alagoas e na Paraíba. "Vamos ter candidatos fortes e palanques viáveis", disse Genoino. "Não disputaremos mais para marcar posição, como ocorreu em Natal, João Pessoa, São Luiz, Teresina e Campo Grande."