Título: Infecção pode ser mais grave, dizem médicos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2005, Vida &, p. A19
Pressão baixa e febre alta são sintomas típicos de infecção. O fato de ser urinária é sinal de que é bacteriana. As toxinas da bactéria dilatam as artérias e fazem com que a temperatura do corpo suba. A febre é uma tentativa do corpo de reagir à infecção. "A infecção urinária do papa mostra que o corpo está muito debilitado e, portanto, sujeito a ter outras infecções a qualquer momento", avalia Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Medicina do ABC. "Existe a possibilidade de o papa estar até mesmo com infecção generalizada."
A melhor maneira de combater uma infecção é com antibióticos, como estão fazendo os médicos do Vaticano. No entanto, o prazo para que o organismo reaja ao remédio é curto. "Se pelo menos um sintoma não desaparecer em dois, três dias, é sinal de que a bactéria está conseguindo vencer o antibiótico", diz Jorge Carlos Machado Curi, cirurgião e intensivista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O próximo passo seria trocar o antibiótico por outro mais potente.
Os médicos estranham o fato de João Paulo II não ter sido levado para o hospital. "A partir de agora deve ser evitado qualquer imprevisto", diz Curi. "Pressão baixa, por exemplo, é sinal de que o sangue está com mais dificuldade de chegar aos órgãos, o que inclui o coração. Se ele precisar de intervenção cardíaca, deverá receber auxílio logo. Em um hospital, isso é mais seguro."
O papa deve estar recebendo antibiótico pela veia, já que os mais potentes não são aplicados de outro jeito. "É mais seguro que isso seja feito em hospital também. Mas talvez o mantenham em casa justamente porque a infecção é mais grave."
De acordo com os médicos, o enfraquecimento do sistema imunológico do papa pode ter começado na hospitalização por inflamação nas vias respiratórias, em 1.º de fevereiro. "Ele deve ter tomado antibióticos na época. O remédio faz com que o corpo fique suscetível a outros tipos de bactérias."
O fato de João Paulo II ter perdido 19 quilos em apenas um mês acelera o quadro de enfraquecimento e, portanto, a possibilidade de a infecção aparecer em outro lugar do organismo e até se espalhar. "São muitos quilos. Sem dúvida, ele está desnutrido", analisa Fiss. Na quarta-feira, o Vaticano deu a notícia de que o papa havia recebido uma sonda nasogástrica porque não conseguia se alimentar com comida sólida.