Título: Empresários pedem salvaguardas contra China
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/04/2005, Economia, p. B1

Empresários brasileiros, principalmente do setor têxtil, vêm insistindo para o governo regulamentar o mecanismo de salvaguardas contra a China. O acordo de entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), de 2001, prevê que os países lancem mão de salvaguardas no caso de um aumento ou ameaça de aumento das importações chinesas. Trata-se de um mecanismo transitório que permite a adoção de salvaguardas toda vez que as importações de qualquer produto têxtil chinês tiverem elevação significativa, até 2008. Para isso, o setor precisa provar que as importações causaram prejuízo substancial ou ameaçam causar prejuízo. A Argentina e a Turquia já regulamentaram esse mecanismo, mas, no Brasil, ele ainda precisa passar pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Depois da regulamentação, o governo poderia aumentar a tarifa de importação sobre alguns produtos chineses.

O setor têxtil é o mais ativo nas críticas à invasão chinesa. No ano passado, a importação de produtos têxteis da China aumentou 64% em relação a 2003. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Josué Gomes da Silva, chegou a sugerir publicamente que o governo adote salvaguardas contra as importações de têxteis da China. "O Brasil pode e deve adotar salvaguardas contra os têxteis da China", disse, em março, Gomes da Silva, presidente da Coteminas e filho do vice-presidente José Alencar.

Gomes da Silva quer que o governo regulamente e aplique essas salvaguardas, a exemplo do que fizeram a Argentina e os Estados Unidos. "Devemos combater a concorrência desleal, precisamos impor barreiras", disse o empresário na época. Em 2004, a importação de fios sintéticos da China aumentou mais de 600%; a de tecidos de poliéster texturizados cresceu 98,05%.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) critica a iniciativa do governo brasileiro de reconhecer a China como uma economia de mercado - reconhecimento que foi negado pela União Européia. No ano passado, durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, o Brasil anunciou que iria conceder à China o reconhecimento. Caso seja oficializado na OMC, esse reconhecimento deixa o País menos flexível para se defender do dumping de produtos chineses.