Título: Em 98, ele tentou eleger empresário do caso TRT
Autor: Vasconcelo Quadros
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/04/2005, Nacional, p. A4
Na campanha de 1998 para o Senado, numa disputa em coligação entre seu antigo partido, o PFL, com o PSDB, Romero Jucá indicou para ser primeiro suplente de seu sócio, o ex-governador biônico de Roraima, Getúlio Alberto de Souza Cruz, o nome do empreiteiro Fábio Monteiro de Barros Filho. Dono da Ikal, empresa do Grupo Incal, denunciado junto com o juiz Nicolau dos Santos Neto pelo desvio de verbas das obras superfaturadas do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) paulista, Barros Filho seria protagonista de um dos maiores escândalos do País. Barros Filho foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto envolvimento no caso. Acabou sendo absolvido na ação criminal. A Justiça Federal condenou apenas Nicolau. "Ainda bem que não me elegi. Você acha que eu teria aceito o nome se imaginasse que era o mesmo do TRT?", reagiu Getúlio Cruz, em entrevista ao Estado, que atribuiu a Jucá toda a articulação para impor Barros Filho como candidato.
"Ele (o empreiteiro) não fez campanha. Participou de duas ou três reuniões com militantes, mandou 12 mil camisetas para serem distribuídas e esperou o resultado em São Paulo. O Jucá o apresentou como empresário bem sucedido, paulistano quatrocentão e andava com ele pela cidade", afirma Cruz.
Em Roraima, o próprio Getúlio Cruz foi condenado com a empresa Servaz S.A. pelo suposto desvio de recursos das obras de dragagem do Rio Branco. Em decisão de primeira instância, no ano passado, o juiz Gregório Carlos dos Santos, de Roraima, condenou Cruz e a Servaz S.A a devolverem aos cofres públicos cerca de R$ 8 milhões.
MADEIREIRAS
Os problemas de Jucá com a polícia vêm desde que ele presidiu a Fundação Nacional do Índio (Funai), entre 1985 e 1987. Nessa época, ele respondeu a inquérito na Polícia Federal e foi denunciado pela Procuradoria da República por favorecimento a madeireiras na exploração de mogno e cerejeira em reservas indígenas do Vale do Guaporé, na divisa do Mato Grosso com Rondônia.
O Ministério Público Federal listou pelo menos dez empresas que teriam se beneficiado. A Procuradoria da República arquivou o caso.
Em Boa Vista, Jucá foi denunciado pelo Ministério Público por abuso de poder econômico e utilização indevida de veículos de comunicação para propaganda eleitoral quando disputou o Senado, em 1994.
O Tribunal Regional Eleitoral o condenou por unanimidade. O procurador Franklin Rodrigues da Costa, impetrou, na época, recurso tentando cassar o diploma de Jucá, mas a decisão foi revista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2001, a denúncia foi considerada improcedente.