Título: 'Não seguirei ordem nem da Justiça', diz Severino
Autor: Simone Menocchi
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/04/2005, Nacional, p. A5
APARECIDA- Batendo a mão no peito, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse ontem de manhã em Aparecida, no Vale do Paraíba, que derrubou a Medida Provisória 232, que elevava tributos das empresas prestadoras de serviços, porque é brasileiro. Ele garantiu que até o fim de seu mandato o Legislativo vai se manter autônomo e independente. "Não vou seguir ordem ou autorização de ninguém, nem da Justiça nem do Executivo", avisou, para em seguida emendar: "Não quero dizer com isso que vou criar problemas para a administração do País." Severino ainda tentou se explicar: "Não vou criar problemas porque antes de ser deputado sou brasileiro e vou ao encontro das reivindicações do povo, como fiz com a MP 232, que derrotei e ela está enterrada." Segundo o deputado, MP foi derrotada porque os pequenos e microempresários "precisam ser defendidos".
O aumento de impostos de prestadores de serviços criou muita resistência à MP 232. Sem votos para aprová-la na Câmara, o governo acabou mantendo a parte que corrigia a tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas e editando outra MP, revogando os artigos sobre impostos na 232.
Domingo, em Campina Grande (PB), Severino também se identificou como o algoz da MP 232. "Nós brigaremos quando quiserem machucar o povo, como fizeram com a 232. Essa eu enfrentei e ganhei, junto com a sociedade e o povo", disse ele. "Diga ao povo da Paraíba que Severino Cavalcanti foi quem derrotou a 232."
FIESP
A MP também foi tema de empresários e políticos em almoço oferecido em Pindamonhangaba pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. "Esta medida nasceu para atualizar a tabela do IR, o resto veio de carona. Isso não é derrota nem vitória de ninguém. É democracia", disse ele.
Skaf garantiu que o almoço não tinha interesse político. "Aqui ninguém está pedindo nada para ninguém. Estamos numa confraternização." Mas ele disse que nos últimos 25 anos o País parou e é preciso "um novo astral, reduzindo taxas de juros, eliminando gastos, reduzindo a informalidade e abrindo créditos para dar ao País um ritmo de crescimento sustentável".