Título: China e oposição de Taiwan se aproximam
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Fonte: O Estado de São Paulo, 30/04/2005, Internacional, p. A19

Lien Chan, líder do Kuomingtang, e Hu Jintao, presidente chinês, prometem se esforçar para evitar a guerra na região O líder da oposição de Taiwan, Lien Chan, e o presidente chinês, Hu Jintao, encerraram ontem com um aperto de mãos décadas de hostilidades mútuas. Os presidentes do Partido Comunista Chinês e do Partido Kuomintang - os dois partidos inimigos durante a guerra civil, seis décadas atrás - concordaram trabalhar para pôr fim ao conflito entre Taipé e Pequim e evitar a guerra no Estreito de Taiwan, uma das regiões mais críticas da Ásia. O governo de Taiwan - que autorizou a visita - manifestou-se desapontado, dizendo que os dois líderes não fizeram nada para melhorar as congeladas relações. Os EUA - que poderiam ser envolvidos em qualquer conflito entre China e Taiwan - declararam que o diálogo agora deveria incluir o governo eleito de Taiwan.

Em uma cerimônia transmitida pela TV na China e em Taiwan, Hu e Lien trocaram apertos de mão no Grande Salão do Povo em Pequim. "Esta viagem representa a determinação e o compromisso sincero de nossos dois partidos de desenvolver as relações entre as duas margens do Estreito de Taiwan", declarou Hu, admitindo, no entanto, que as relações bilaterais atravessam uma "época complicada". Pequim e Taipé devem enfocar "a paz, a estabilidade e o desenvolvimento para o futuro", disse Hu.

"Nós absolutamente devemos evitar a confrontação. Queremos a conciliação. Queremos o diálogo", respondeu Lien.

A visita de Lien é a primeira de um líder nacionalista desde que o Kuomintang foi derrotado pelos comunistas em 1949 e fugiu para Taiwan. O presidente taiwanês, Chen Shui-bian, excluiu uma aproximação imediata: "Não haverá possibilidades de integração antes que a China instaure eleições democráticas e permita a liberdade de expressão e de culto".