Título: Não bastasse a chacina, extorsão
Autor: Clarissa Thomé
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2005, Metrópole, p. C4
A apuração da chacina da Baixada Fluminense está levando a polícia a descobrir outros crimes cometidos pelos policiais militares suspeitos do massacre. Ontem foi encontrada uma casa em Queimados usada pelo grupo para extorquir dinheiro de caminhoneiros. O imóvel é colado à residência do soldado Ivonei de Souza, que já está preso. O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, afirmou que seis PMs executaram as vítimas e dois eliminaram provas da chacina. Policiais foram ontem à casa de número 49 da Rua Wilson Tavares, às margens da Via Dutra. Pelas denúncias recebidas pela Delegacia de Homicídios da Baixada, a residência era usada como cativeiro pelos PMs. Caminhoneiros eram parados na Dutra pelos policiais. Aqueles em situação irregular eram levados para a casa e só liberados após pagar propina. Às vezes, os motoristas tinham de entregar cartões para PMs usarem em caixas eletrônicos.
"Estamos descobrindo outros crimes, como receptação de carro roubado e formação de quadrilha. A prática comum desse bando é o homicídio", disse o delegado Roberto Cardoso, de Nova Iguaçu. "Nosso alvo é a chacina. Os crimes periféricos serão elucidados pelas delegacias das áreas."
Segundo as denúncias, o imóvel está alugado em nome de um PM reformado. Nos fins de semana, eram comuns churrascos na casa. No local, foi apreendido um Gol cinza roubado em Nova Iguaçu. O carro tem placa fria e está sendo periciado. "As testemunhas disseram que viram um Gol prata, um Gol bola (de modelo antigo) e um Gol de terceira geração. Achávamos que as informações se referiam ao Gol já apreendido (com o soldado Carlos Jorge Carvalho), mas pode ser que este veículo também tenha sido usado", afirmou Lins.
O chefe de Polícia disse o nome dos indiciados: além de Carvalho, os soldados Fabiano Gonçalves Lopes, Júlio Cesar Amaral de Paula, Walter Valin e Marcelo Barbosa de Oliveira e o cabo José Augusto Moreira Felipe. Valim e Oliveira tiveram a prisão decretada na segunda-feira. Segundo Lins, os soldados Maurício Montezano e Ivonei de Souza atuaram na destruição de provas. A PF indiciou os cabos Gilmar da Silva Simão e Marcos Siqueira Costa. E o sargento Ricardo Tomé de Almeida está em prisão administrativa.
Ontem, foi decretada a prisão temporária de mais um PM: o sargento Sedimar Gomes, do Serviço Reservado do 24.º Batalhão da PM.